quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Todas as crianças do mundo são nossas filhas


Hoje, numa ida ao quarto do meu filho mais velho, como faço tantas vezes ao longo do dia, comecei a folhear um dos seus livros que continuam na estante como antes de ele "bater as asas" e partir para a conquista da vida, lá para os lados da cidade grande, capital cosmopolita. O livro Manual do Guerreiro da Luz do Paulo Coelho, entre os outros de banda desenhada, de aventuras, de estudo, chamou-me a atenção e não era a primeira vez... 
Muitas vezes penso em tirar os livros, a coleção de minerais, objetos que assinalam  vários momentos, cábulas escritas em pedacinhos de papel, bilhetinhos para as suas colegas de escola,,,  meter tudo em caixas e guardar noutro sítio mas faz-me falta "senti-lo", ainda, ali e aqui, em cada objeto indicativo do seu crescimento, da sua forma de ser e de estar... De alguma forma, que só uma mãe entende talvez, ele continua ali, presente a cada momento do dia.
Comecei a folhear o livro e lá estava a dedicatória escrita pelo meu punho "Com um beijinho da mãe. Que a tua vida seja um sorriso!", e a data "1/06/2003". Fiquei surpreendida pois já não me recordava. O João tinha então dezoito anos (18)... Que lindo!!! E vieram as recordações, as lembranças... O que motivou a compra DAQUELE livro e não outro??? E sorri para mim...
 Continuei a ler até chegar a este parágrafo "Um guerreiro da luz presta atenção aos olhos de uma criança. Porque elas sabem ver o mundo sem amargura. Quando ele deseja saber se a pessoa que está ao seu lado é digna de confiança, procura vê-la como uma criança a olha."

E rápidamente um artigo que li recentemente na revista Focus Social baseado num relatório intitulado Perigo a Cada Passo do Caminho, da Unicef, sobre as crianças e jovens adolescentes refugiados que fogem das suas pátrias, da violência da guerra,  veio-me à lembrança, assim como as imagens de crianças de olhar triste, amargurado,  que nos aparecem nos meios de informação e que nos entristecem.

E o meu sorriso desapareceu... E a frase 

"Porque elas sabem ver o mundo sem amargura..." (?)  

a bater forte ...

O que está o mundo a fazer às crianças???  
Quando voltarão as crianças, vítimas de tanta variedade de violência, de tanta crueldade, a terem de novo confiança no presente ou no futuro? Quando voltarão a sorrir??? Quando deixarão de sentir amargura???

Todas as crianças do mundo são nossas filhas...


UNICEF alerta para os perigos com que se deparam os adolescentes refugiados e migrantes não acompanhados que fogem para a Europa
Mais de nove em cada 10 crianças refugiadas e migrantes que têm chegado este ano à Europa através de Itália não estão acompanhadas, o que leva a UNICEF a alertar para os perigos de abuso, exploração e morte que enfrentam.
Num relatório intitulado Perigo a Cada Passo do Caminho (Danger Every Step of the Way) lançado hoje, a UNICEF afirma que 7.009 crianças não acompanhadas fizeram a travessia do Norte de África para Itália nos primeiros cinco meses do ano, o dobro do ano passado.
O relatório documenta os riscos tremendos que os adolescentes correm para escapar a conflitos, ao desespero e à pobreza.
Entre 1 de Janeiro e 5 de Junho de 2016 foram registadas 2.809 mortes no Mediterrâneo. No ano passado, registaram-se ao todo 3.770 mortes. A grande maioria ocorreram na rota do Mediterrâneo Central – e muitas eram crianças.
As crianças não acompanhadas geralmente dependem dos traficantes de seres humanos, muitas vezes num sistema de “pagamento adiantado por etapas”, o que as torna muito vulneráveis à exploração.
“Se tentas fugir, eles atiram sobre ti e morres. Se paras de trabalhar, batem-te. Era como no tempo do comércio dos escravos,” diz Aimamo, 16 anos, sobre a quinta na Líbia onde ele e o irmão gémeo trabalharam durante dois meses para pagar aos traficantes. “Uma vez parei cinco minutos para descansar, e um homem bateu-me com um pau. Depois do trabalho, fecham-nos entre portas e não nos deixam sair.”
Alguns destes adolescentes são abusados e sexualmente explorados. Os assistentes sociais italianos disseram à UNICEF que raparigas e rapazes foram vítimas de abusos sexuais e obrigados a prostituir-se enquanto estavam na Líbia, e que algumas das raparigas chegaram a Itália grávidas porque tinham sido violadas.
Porém, devido à natureza ilícita do tráfico de seres humanos, não há dados fiáveis sobre o número de refugiados e migrantes que morrem, ou desaparecem porque são levados para trabalhos forçados ou para a prostituição, ou ficam em detenção.
“É uma situação desesperada mas silenciosa – longe da vista e fora de controlo. Porém, dezenas de milhares de crianças enfrentam diariamente esses perigos e outras centenas de milhares estão preparadas para arriscar tudo,” afirmou Marie Pierre Poirier, Coordenadora Especial da UNICEF para a crise de Refugiados e Migrantes na Europa. “Estas crianças precisam urgentemente de protecção contra todo o tipo de abusos às mãos daqueles que se aproveitam da situação para explorar os seus sonhos.”
Com a chegada próxima do verão no Mediterrâneo, os últimos números relativos às crianças na rota do Mediterrâneo Central podem muito bem ser apenas a ponta do iceberg, diz a UNICEF. Cerca de 235.000 migrantes estão actualmente na Líbia, e dezenas de milhares são crianças não acompanhadas.
“Todos os países – países de onde as crianças partem, os que atravessam e aqueles em que procuram asilo – têm a obrigação de criar sistemas de protecção centrados nos riscos que as crianças não acompanhadas enfrentam. Na União Europeia e noutros países de destino, esta é uma oportunidade para introduzir reformas políticas e legislativas que se traduzam por mais oportunidades para a criação de canais seguros, legais e regulares para estas crianças”, acrescentou Marie Pierre Poirier.


Ao livro voltarei mais tarde porque terei de o ler... Grande autor e as primeiras palavras já me cativaram!


domingo, 18 de setembro de 2016

Diversidade cultural é património comum da Humanidade

Mensagem para o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento 2016

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Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, 21 de maio de 2016

A celebração da diversidade cultural significa a valorização de uma extraordinária fonte de intercâmbio, inovação e criatividade, o reconhecimento de que a riqueza das culturas é o poder constitutivo da humanidade e um elemento importante para a paz e o desenvolvimento, cuja promoção é inseparável da observância dos direitos humanos.

A celebração da diversidade cultural também significa estar consciente dos laços que nos unem ao nosso meio ambiente, uma vez que a diversidade cultural é tão necessária para a humanidade como a biodiversidade o é para a natureza, como a Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural, aprovada em 2001, declara de forma expressa.

A celebração da diversidade cultural significa a abertura de novas perspectivas para o desenvolvimento sustentável, assim como a promoção de indústrias criativas e do empreendedorismo cultural como fontes de milhares de empregos em todo o mundo – particularmente para os jovens e especialmente para as mulheres. A cultura acelera o desenvolvimento sustentável e teve seu potencial reconhecido na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável adotada pelas Nações Unidas. A cultura oferece uma oportunidade única de conciliar os aspectos econômicos e sociais do desenvolvimento – bens e serviços culturais têm identidades, pontos de referência e valores, ao mesmo tempo em que permitem que milhões de criadores, artistas e profissionais ganhem a vida com o seu trabalho. A celebração da diversidade cultural significa permitir que eles pratiquem suas atividades, assim como os ajuda a enriquecer a paisagem cultural, o que por sua vez nos enriquece.

Celebrar, ao mesmo tempo, a diversidade cultural que amplia os nossos horizontes e os direitos humanos que nos unem: esse é o cerne do mandato da UNESCO, para o patrimônio, a educação, a informação e o compartilhamento do conhecimento. Os inimigos dos direitos humanos sempre atacam a diversidade cultural, que simboliza a liberdade de ser e de pensar, o que é intolerável para eles. Neste dia, vamos ousar responder a eles de forma coletiva: eu chamo todos os Estados-membros a fortalecer o espírito deste dia, como uma arma pacífica contra as tentações do isolacionismo, do fechamento e da exclusão, que levam a humanidade a renunciar a si mesma, ignorando a sua própria riqueza.
     

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DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A
DIVERSIDADE CULTURAL 


A Conferência Geral,
Reafirmando o seu compromisso com a plena realização dos direitos humanos e das liberdades fundamentais proclamadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos e em outros instrumentos universalmente reconhecidos, como os dois Pactos Internacionais de 1966 relativos respectivamente, aos direitos civis e políticos e aos direitos econômicos, sociais e culturais;
Recordando que o Preâmbulo da Constituição da UNESCO afirma “(...) que a ampla difusão da cultura e da educação da humanidade para a justiça, a liberdade e a paz são indispensáveis para a dignidade do homem e constituem um dever sagrado que todas as nações devem cumprir com um espírito de responsabilidade e de ajuda mútua”;
Recordando também seu Artigo primeiro, que designa à UNESCO, entre outros objetivos, o de recomendar “os acordos internacionais que se façam necessários para facilitar a livre circulação das idéias por meio da palavra e da imagem”;
Referindo-se às disposições relativas à diversidade cultural e ao exercício dos direitos culturais que figuram nos instrumentos internacionais promulgados pela UNESCO[1];
Reafirmando que a cultura deve ser considerada como o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças[2];
Constatando que a cultura se encontra no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e o desenvolvimento de uma economia fundada no saber;
Afirmando que o respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, num clima de confiança e de entendimento mútuos, estão entre as melhores garantias da paz e da segurança internacionais;
Aspirando a uma maior solidariedade fundada no reconhecimento da diversidade cultural, na consciência da unidade do gênero humano e no desenvolvimento dos intercâmbios culturais;
Considerando que o processo de globalização, facilitado pela rápida evolução das novas tecnologias da informação e da comunicação, apesar de constituir um desafio para a diversidade cultural, cria condições de um diálogo renovado entre as culturas e as civilizações;
Consciente do mandato específico confiado à UNESCO, no seio do sistema das Nações Unidas, de assegurar a preservação e a promoção da fecunda diversidade das culturas;
Proclama os seguintes princípios e adota a presente Declaração:

IDENTIDADE, DIVERSIDADE E PLURALISMO
  
Artigo 1.º
Diversidade cultural: um património comum da Humanidade

A cultura assume diversas formas ao longo do tempo e do espaço. Esta diversidade está inscrita no carácter único e na pluralidade das identidades dos grupos e das sociedades que formam a Humanidade. Enquanto fonte de intercâmbios, inovação e criatividade, a diversidade cultural é tão necessária para a Humanidade como a biodiversidade o é para a natureza. Neste sentido, constitui o património comum da Humanidade e deve ser reconhecida e afirmada em benefício das gerações presentes e futuras.
 
  


Artigo 2.º
Da diversidade cultural ao pluralismo cultural

Nas nossas sociedades cada vez mais diversas, é fundamental garantir uma interacção harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais plurais, variadas e dinâmicas, bem como a sua vontade de viver em conjunto. Políticas visando a inclusão e participação de todos os cidadãos são garantias de coesão social, de vitalidade da sociedade civil e de paz. Assim definido, o pluralismo cultural dá expressão política à realidade da diversidade cultural. Sendo indissociável de um ambiente democrático, o pluralismo cultural favorece os intercâmbios culturais e o florescimento das capacidades criativas que suportam a vida pública.


Artigo 3.º
Diversidade cultural como um factor de desenvolvimento

A diversidade cultural alarga o leque de opções à disposição de todos; é uma das fontes do desenvolvimento, entendido não apenas em termos de crescimento económico, mas também como meio para alcançar uma existência intelectual, emocional, moral e espiritual mais satisfatória.


DIVERSIDADE CULTURAL E DIREITOS HUMANOS


Artigo 4.º
Os direitos humanos como garantias da diversidade cultural

A defesa da diversidade cultural é um imperativo ético, indissociável do respeito pelos direitos humanos. Implica um compromisso para com os direitos humanos e liberdades fundamentais, em particular os direitos das pessoas pertencentes a minorias e dos povos indígenas. Ninguém pode invocar a diversidade cultural para justificar a violação dos direitos humanos garantidos pelo direito internacional, nem para restringir o seu âmbito.


Artigo 5.º
Os direitos culturais como enquadramento propício à diversidade cultural

Os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos, os quais são universais, indivisíveis e interdependentes. O florescimento da diversidade criativa exige a plena realização dos direitos culturais conforme definidos no artigo 27.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem e nos artigos 13.º e 15.º do Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais. Todas as pessoas devem assim ter a possibilidade de se exprimir e de criar e divulgar o seu trabalho numa língua da sua escolha, e particularmente na sua língua materna; todas as pessoas devem ter direito a uma educação e a uma formação de qualidade, que respeitem plenamente a sua identidade cultural; e todas as pessoas têm o direito de participar na vida cultural da sua escolha e de realizar as suas próprias práticas culturais, sem prejuízo do respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais.


Artigo 6.º
No sentido do acesso de todos à diversidade cultural

Ao mesmo tempo que se garante o livre fluxo de ideias pela palavra e pela imagem, deverá ter-se o cuidado de assegurar que todas as culturas se possam exprimir e dar-se a conhecer. A liberdade de expressão, o pluralismo dos meios de comunicação social, o multilinguismo, a igualdade de acesso às artes e ao conhecimento científico e tecnológico, nomeadamente sob forma digital, e a possibilidade de acesso de todas as culturas aos meios de expressão e divulgação, são garantias da diversidade cultural.


DIVERSIDADE CULTURAL E CRIATIVIDADE

Artigo 7.º
O património cultural como fonte da criatividade

A criação tem as suas raízes na tradição cultural, mas floresce em contacto com outras culturas. Por esta razão, o património, sob todas as suas formas, deverá ser preservado, valorizado e transmitido às gerações futuras enquanto testemunho da experiência e das aspirações humanas, de forma a fomentar a criatividade em toda a sua diversidade e a inspirar um diálogo genuíno entre as culturas.


Artigo 8.º
Bens e serviços culturais: produtos diferentes de todos os outros

Face às actuais transformações de carácter económico e tecnológico, que abrem amplas perspectivas de criação e inovação, deverá prestar-se particular atenção à diversidade da oferta criativa, ao devido reconhecimento dos direitos dos autores e artistas e à especificidade dos bens e serviços culturais que, enquanto portadores de identidade, valores e sentido, não podem ser tratados como meros produtos ou bens de consumo.


Artigo 9.º
As políticas culturais como catalisadores da criatividade

Ao mesmo tempo que asseguram a livre circulação das ideias e dos trabalhos, as políticas culturais deverão criar condições favoráveis à produção e difusão de bens e serviços culturais diversificados através de indústrias culturais com meios para se afirmar a nível local e global. Incumbe a cada Estado, tendo devidamente em conta as suas obrigações internacionais, definir a sua política cultural e executá-la através dos meios que considere adequados, seja prestando apoio operacional seja procedendo a uma regulamentação apropriada.


DIVERSIDADE CULTURAL E SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL


Artigo 10.º
Reforço das capacidades de criação e divulgação a nível mundial

Face aos actuais desequilíbrios nos fluxos e intercâmbios de bens e serviços culturais a nível mundial, é necessário reforçar a cooperação e solidariedade internacionais para que todos os países, especialmente países em vias de desenvolvimento e países em transição, possam estabelecer indústrias culturais viáveis e competitivas a nível nacional e internacional.


Artigo 11.º
Estabelecimento de parcerias entre o sector público, o sector privado e a sociedade civil

As forças de mercado, só por si, não podem garantir a preservação e promoção da diversidade cultural, que é fundamental para um desenvolvimento humano sustentável. Desta perspectiva, deverá ser reafirmada a preponderância das políticas públicas, em parceria com o sector privado e a sociedade civil.


Artigo 12.º
O papel da UNESCO

A UNESCO, em virtude do seu mandato e das suas funções, tem as seguintes responsabilidades:

a) Promover a incorporação dos princípios enunciados na presente Declaração nas estratégias de desenvolvimento delineadas no seio dos vários organismos intergovernamentais;

b) Servir como entidade de referência e fórum onde os Estados, as organizações internacionais governamentais e não governamentais, a sociedade civil e o sector privado possam juntar-se para a elaboração conjunta de conceitos, objectivos e políticas em prol da diversidade cultural;

c) Prosseguir as suas actividades de definição normativa, sensibilização e desenvolvimento de capacidades nas áreas relacionadas com a presente Declaração que se inscrevam nas suas esferas de competência;

d) Facilitar a aplicação do Plano de Acção, cujas linhas principais constam em anexo à presente Declaração.



* Entre os quais, e nomeadamente, o Acordo de Florença de 1950 e seu Protocolo de Nairobi de 1976, a Convenção Universal sobre Direito de Autor, de 1952, a Declaração dos Princípios da Cooperação Cultural Internacional, de 1966, a Convenção Relativa às Medidas a Adoptar para Proibir e Impedir a Importação, a Exportação e a Transferência Ilícitas da Propriedade de Bens Culturais (1970), a Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural, de 1972, a Declaração sobre a Raça e os Preconceitos Raciais, de 1978, a Recomendação relativa ao Estatuto do Artista, de 1980, e a Recomendação sobre a Preservação da Cultura Tradicional e Popular, de 1989.


* Esta definição está na linha das conclusões da Conferência Mundial sobre Políticas Culturais (MONDIACULT, Cidade do México, 1982), da Comissão Mundial sobre Cultura e Desenvolvimento (A Nossa Diversidade Criativa, 1995) e da Conferência Intergovernamental sobre Políticas Culturais para o Desenvolvimento (Estocolmo, 1998).

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A vida...



Há acontecimentos que nos levam a refletir, não no momento em que ocorrem mas mais tarde quando o pensamento está livre e nos trás o que aconteceu ao  longo do dia. Geralmente, o pensamento traz-nos as memórias que mais nos marcaram, por um motivo ou por outro. 

Foi o que me aconteceu uma noite destas, ao recordar a conversa que tive com uma amiga sobre o espancamento que envolveu os jovens filhos do Embaixador Iraquiano no nosso país e jovens portugueses. Mas a conversa veio-me à memória não pela violência utilizada que deixou em tão mal estado o jovem (Rubem) português de quinze (15!!!) anos, não pela frieza de tanta violência física reveladora de que os espancadores não tiveram qualquer tipo de humanidade pelo espancado (como se não estivessem a espancar uma vida, um ser igual a eles mesmos!!!!!!) não pelo álcool facilmente adquirido e consumido sem respeito pela lei (jovens 15 e 17 anos), não pelo carro conduzido por um menor (sem respeito pela lei), não por pais de jovens adolescentes permitirem que os filhos andem livremente pela noite dentro... 

A conversa não me veio à cabeça por esses motivos porque já anteriormente tinha refletido, imenso, sobre toda a envolvência e horror dessa tragédia perdida numa noite de Ponte de Sor.
Recordei a conversa devido à dificuldade que senti durante esse diálogo (em que outros temas sociais da atualidade surgiram naturalmente) em articular  a palavra "xenofobia". Dificuldade física não mental.
Foi fácil concluir que tal dificuldade se deveu à falta de "ginástica oral" causada por passar os dias numa quase solidão voluntária, em que raramente saio para me encontrar e conversar com alguém ou encontro pessoas com quem abordar estes temas... Debato-os de mim para mim, num monólogo mental. Leio, informo-me sobre o que me rodeia, ouço, reflito imenso (como todas as pessoas) e o pensamento não pára e todas as palavras fluem livremente e facilmente no mental. Mas articulá-las oralmente também deve ser praticado!!!  Tenho de começar a falar sózinha e em voz alta!!!

Eheh.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Os pobres... de dinheiro.

  
Há dias, numa conversa sobre os incêndios que têm assolado o nosso país, falámos dos factores e comportamentos que poderão estar nas suas origens e nas suas consequências imediatas e futuras, e em termos de desabafo comentei que eu sofro é pelos pobres numa alusão, claro, a quem ficou sem os seus parcos haveres. "Quais pobres? Não vejo pobres nenhuns apenas pessoas sentadas nas esplanadas ou a passearem." Retorquiram-me.

Estas palavras marcaram-me profundamente e vieram-me ao pensamento ao longo de vários dias.

A resposta veio mais tarde. E com ela os rostos que olhei nos meus locais de estágio (Cáritas e EAPN/ Rede anti-pobreza) e nos que olho nos percursos que diariamente palmilho.

Rostos que raramente vejo nos centros comerciais ou nas grandes superfícies. Em esplanadas ou em festas. Rostos que só ALI conheci e amei e respeitei. Rostos que me trazem lágrimas perdidas nas suas histórias de vida. Nas suas necessidades tão básicas. Pobres, é certo, mas tão PESSOAS. Pessoas como eu. Eu como ELAS.

E a resposta para que se não vejam os pobres é só essa: Rostos que raramente se veêm nos centros comerciais ou nas grandes superfícies. Em esplanadas ou em festas. Rostos que se refrescam ao cair da noite nas soleiras das suas portas. Rostos que vivem quase escondidos à percepção da maioria desta sociedade muitas vezes "moribunda" em valores, demasiado ocupada pelo seu umbigo.


sábado, 6 de agosto de 2016

O que me faz SOrriR


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Nestes dias tão quentes, em que sair à rua só deve ser feito pela manhãzinha ou pela noite dentro, o tempo livre é demasiado longo para refletirmos em todas as coisas que nos habitam mas que, nos dias de azáfama, vamos escondendo do pensamento.

Há conversas que ficam. Palavras proferidas que nos assolam nestes momentos de indolência. Uma dessas conversas teve como tema central a insatisfação pessoal que grassa na sociedade. O ter isto mas ambicionar ter também aquilo. O não valorizar o que se tem e valorizar demasiado o que não se tem, AINDA.
O que a VIDA poderia ter sido se determinado passo não tivesse sido trilhado e se, em vez desse passo, tivesse sido escolhido outro caminho.

Tantos SES fazem-me confusão, talvez por viver segundo outra filosofia de vida. Amo cada dia como se fosse o ultimo (sempre com "os pés assentes na terra"). Amo cada segundo, cada paisagem, cada cor... cada aroma, cada gesto. Não consigo imaginar-me tendo percorrido outro caminho porque este é o meu, aquele que eu construí, "decorei", senti... vivi. Este é o resultado das minhas emoções transformadas em ações... a cada dia da minha vida consoante o meu crescimento pessoal e compreensão do que me rodeava... não conseguiria ter feito outro caminho... só se eu fosse outra pessoa.

Quanto a insatisfação pessoal também a senti nos meus anos de jovem adulta em que o sonho ainda comandava o pensamento veloz e desejava que tudo acontecesse rapidamente. Atualmente,  sinto tranquilidade e aceitação pelo que tenho e agradeço todas as bençãos que a vida me deu e as que me possa dar.

O que me faz SOrriR???

Sair com o meu cão, numa tarde ainda quente, olhar uma varanda batida pelo sol e vislumbrar um pardalito a beber água num escorredor dessa varanda... haverá imagem que se iguale em beleza e harmonia??? Haverá riqueza maior? Haverá ambição que se lhe compare???!!!




Que a minha vida seja sempre um poema meu...