segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher...






Que um sorriso nunca deixe de iluminar o nosso rosto...




História do 8 de Março

 
Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, entraram em greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente
130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de Março passaria a ser o
"Dia Internacional da Mulher", em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas). 


Objectivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objectivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, as mulheres ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, carga horária excessiva e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.






)

Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.
(Pablo Neruda)


Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que rí e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
(Florbela Espanca)


A Mulher


Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

( Florbela Espanca)



Para que não esqueçamos...






O que é violência doméstica ?



Segundo a “APAV”, Associação Portuguesa de apoio à Vítima, violência doméstica é qualquer conduta ou omissão de natureza criminal, reiterada e/ou intensa ou não, que inflija sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou económicos, de modo directo ou indirecto, a qualquer pessoa que resida habitualmente no mesmo espaço doméstico ou que, não residindo, seja cônjuge ou ex-cônjuge, companheiro/a ou ex-companheiro/a, namorado/a ou ex-namorado/a, ou progenitor de descendente comum, ou esteja, ou tivesse estado, em situação análoga; ou que seja ascendente ou descendente, por consanguinidade, adopção ou afinidade.
A violência exercida entre pessoas do mesmo sexo no seu relacionamento também está englobada neste conceito.
Esta definição implica a referência a vários crimes, nomeadamente: o de violência doméstica; o de ameaça; o de coacção; o de difamação; o de injúria; o de subtracção de menor; o de violação de obrigação de alimentos; o de violação; o de abuso sexual; o de homicídio; e outros.
Actualmente o Código Penal já consagra expressamente (no art. 152º - Violência Doméstica) que existe crime de violência doméstica quando existam "maus tratos físicos e psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais (...) a pessoa de outro ou do mesmo sexo" com quem o agressor "mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem habitação".
Para além deste artigo específico, a lei também criminaliza, por exemplo, as ameaças, a coacção, a difamação, as injúrias, a subtracção de menor, a violação de obrigação de alimentos, a violação, o abuso sexual e o homicídio ou tentativa de homicídio.
Segundo o Conselho da Europa a violência doméstica contra as mulheres no espaço doméstico é a maior causa de morte ou invalidez (directa e indirecta) entre as mulheres dos 14-44 anos, ultrapassando o cancro e acidentes de viação, com consequências sociais muito graves.
A polícia tem a missão e a obrigação de proteger e ajudar todas as vítimas de crime. A polícia portuguesa, sobretudo na última década, tem vindo a desenvolver um grande esforço nesse sentido. A APAV também pode apoiar nesse contacto.


Mulheres vítimas de violência doméstica




O número de queixas de mulheres, vítimas de violência doméstica, tem vindo a aumentar nos últimos anos. Tal facto, resulta não apenas pela apresentação de queixa pela vítima mas, também, pela denúncia desta situação por parte de terceiros. A consciencialização da comunidade em geral para este atentado aos direitos humanos contribuiu para que este assunto seja tema actual em todos os contextos da sociedade.
O ditado “entre marido e mulher não se mete a colher” deixou de ter sentido e parece estar a ser ultrapassado pela sociedade portuguesa. Actualmente, família, amigos ou vizinhos mobilizam-se para enfrentar o problema que se vive em muitas casas.
Na década de 90, em Portugal, de acordo com um estudo, uma em cada três mulheres era ou tinha sido vítima de violência doméstica.


Números da violência doméstica em 2007



 21 907 vítimas procuraram ajuda na GNR e PSP;
 14 534 queixas de violência doméstica registadas na APAV;
 21 mulheres assassinadas e 57 tentativas de homicídio (UMAR).


A revisão do código penal, nomeadamente o fim da prisão preventiva, faz com que as vítimas percam a confiança de que podem e devem denunciar.
Após denunciarem a situação, e se não houver marcas da agressão física, o que as autoridades fazem é, somente, chamar a atenção do agressor. As vítimas continuam expostas à violência e a única alternativa que lhes resta é a de abandonarem os lares, uma vez que o agressor continua a permanecer a, deixando para trás todo um passado de situações penosas mas, também, abdicando de conviver com os objectos que até aí constituíam parte da sua identidade e que contêm grande carga emocional. Muitas vezes a desmotivação da vítima leva-a à acomodação aos problemas.
A dificuldade de acesso a serviços com capacidade de resposta adequada a esta questão pode contribuir para prolongar estas situações, para além do olhar estigmatizante da sociedade face a estas famílias.


Um agressor será sempre um agressor


Não existe um perfil traçado nem de agressor nem de vítima; São de todas as idades e atingem qualquer estrato sócio-económico. No entanto, os agressores apresentam comportamentos semelhantes. Eles acham-se donos das suas mulheres porque as escolheram, as seduziram e elas têm que fazer o que eles desejam. A mulher é encarada como um objecto de desejo, um objecto de posse.
Depois da violência, vem a “chantagem emocional”. Ao “não sei viver sem ti” ou “ninguém te amará tanto como eu”, segue-se a ameaça do “se não és para mim não és para mais ninguém”.

Um agressor é sempre um agressor. Ele bate, humilha, prende, tira dinheiro, viola. A vulnerabilidade da vítima perante o agressor deve-se, sobretudo, ao facto de as mulheres quererem ser perfeitas e, como acham que não o são, passam a vida a culpabilizarem-se. Normalmente, esta situação perpetua-se porque a vítima não possui suporte económico nem psíquico que lhe permita sair desta situação. Para além disso, coloca sempre o bem-estar dos filhos em primeiro lugar, julgando que se estes continuarem a viver no seio familiar que, apesar de tudo, lhes proporciona alguma estabilidade é mais importante do que os sujeitar a mudanças incertas. Tal visão é errónea, uma vez que estes sofrem, directa e indirectamente, com tudo o que se vive no ambiente familiar. A mãe, que permite o alongar desta situação vai perder, a longo prazo, o respeito dos seus filhos e contribuirá para que estes desenvolvam uma predisposição para a violência: no futuro poderão ser eles os agressores.

As consequências da violência doméstica afectam mulheres em todo o mundo, independentemente das diferenças culturais, religiosas ou sociais. Uma vítima de violência doméstica pode ter perturbações a nível cognitivo, de concentração e de memória. É o denominado “Síndrome da Mulher Abusada”. Estas vítimas levarão anos a encontrar o seu equilíbrio e a encontrar-se a si próprias e é contra tudo isto que temos de lutar, fomentando novas formas de comportamento quer no agressor mas, e primordialmente, na ajuda ao reequilíbrio da vítima.


Como elemento fulcral a família assume um lugar de destaque visto que, a mulher necessitará de um forte e sustentável suporte familiar para alcançar a sua estabilidade psicológica e recupere o seu equilíbrio emocional. Assim, a família deve ser “chamada” a intervir, transmitindo à vítima todo o apoio na sua decisão, o que contribuirá, certamente, para que esta recupere a sua estabilidade e independência. (Celeste Rebordão)






Hoje, depois de 152 anos, as mulheres são as grandes protagonistas das mobilizações populares contra os regimes autocráticos dos países árabes. “As mulheres foram e continuam sendo protagonistas das revoluções da região e estão física e maciçamente presentes nas ruas, o que é fundamental”, avalia Nadim Hury, pesquisador da organização de defesa dos Direitos Humanos, Human Rights Watch (HRW).

Usando camisetas, calças jeans ou os tradicionais trajes negros, milhares de mulheres participaram nas manifestações na Tunísia, Egito, Iêmen e Bahrein contra os regimes desses países. “É um sinal de esperança”, acrescentou, enfatizando que as mulheres também “deverão ser protagonistas nas novas instituições que nascerem dessas revoluções”.

No Bahrein, onde milhares de manifestantes reclamam a queda da dinastia dos Al Khalifa, as mulheres se manifestaram com suas tradicionais abayas, formando uma massa negra em meio à multidão, já que homens e mulheres caminham separadamente.

Em países como a Líbia ou Iêmen se expuseram e foram destaques em meio as câmeras: “As mulheres tiveram um importante papel no início da revolução”, afirmou Tawakul Karman, uma militante iemenita contrária ao presidente Ali Abddullah Saleh.

“A revolução procura derrubar o regime, mas também permitiu superar tradições arcaicas, como o fato de que as mulheres tenham que permanecer em suas casas sem participar na política”, acrescentou. “A revolução também é social. O papel que têm as mulheres permite criar uma nova sociedade”.

Na Arábia Saudita, onde, por ora, não houve uma manifestação em massa, começam a aparecer na internet expressões femininas contra o regime. “Peço às sauditas que atuem agora mesmo. Nossos irmãos sauditas nos traíram porque são uns covardes”, afirma a SaudiWomenRevolution.

Apesar de não se saber como ficarão configurados os futuros sistemas políticos na região, os levantes revelam um descontentamento político, mas também social, enfatizam os analistas.




Fawfia Koofi

Candidata presidencial afegã Fawzia Koofi


"A liberdade é a minha única proposta política"


Fawzia Koofi, 35 anos, deputada e candidata às presidenciais do Afeganistão em 2014, trocou Cabul por Lisboa para apresentar o livro que escreveu a partir das cartas que deixava às filhas, de 12 e 10 anos, sempre que saía em campanha sem saber se voltava.

"Liberdade e justiça, coisas básicas e essenciais. Nada de trascendente ou irrealista. Não estou aqui para mudar o Mundo nem mesmo o país. Este tem de mudar por si e ao seu ritmo, mas é com pequenos passos que se faz a diferença e é neles que assenta a minha proposta de intervenção... Elaborei uma lista de violências contra as mulheres que não se esgotam na violência doméstica de marido para mulher mas também na do pai para a filha quando insiste num casamento arranjado com alguém do seu meio, apenas para manter o estatuto social e a tradição... Um casamento legal tem de ser livre. A liberdade é a minha única proposta política. O resto vem por acréscimo." Entrevista ao Correio da Manhã


"Até no dia em que nasci esperavam que morresse. Afinal eu era “apenas uma rapariga”…





Minhas queridas filhas,

Hoje vou tratar de assuntos políticos em Faizabad e Darwaz.
Espero regressar a casa em breve, mas tenho de vos avisar de que isso pode não acontecer.
Ameaçaram matar-me nesta viagem.
Quero que saibam que tudo o que faço é para que vocês sejam livres de viver as vossas vidas e de sonhar os vossos sonhos. Se me matarem e não voltar a ver-vos, quero que se lembrem disto.
Sejam corajosas. Não tenham medo de nada na vida.
Hoje pode ser o dia da minha morte. Se isso acontecer, por favor, pensem que servi um propósito. Sintam sempre orgulho em tentar ajudar as pessoas e fazer do nosso país e do nosso mundo um lugar melhor.

Um beijo para as duas.

Amo-vos.

A vossa mãe


Mulher, mãe, deputada e candidata às eleições presidenciais do Afeganistão, Fawzia viu o pai e o marido morrerem lutando por um país melhor. Essa luta é também a sua. Mas, tal como eles, ela é um alvo a abater. Cada uma das cartas que escreve às suas filhas nasce do receio de não as voltar a ver mas também da esperança num futuro melhor.





Calçada de Carriche


Luísa sobe,

sobe a calçada,

sobe e não pode

que vai cansada.

Sobe, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe

sobe a calçada.



Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas,

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu da sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.



Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada;

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce a calçada,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.
(António Gedeão, 'Teatro do Mundo' )



A mulher e a mudança social


Desde sempre que as mulheres acumularam funções de companheiras, esposas, mães, donas de casa, conjugando estes papéis com o trabalho nos campos, nas fábricas, no exercício de diversas profissões no âmbito das artes e ofícios mas, também, nas Ciências, Cultura e na Religião. No entanto, a falta de visibilidade do seu trabalho, quer na esfera doméstica quer noutros contextos, fez com que esse não tenha sido valorizado e reconhecido em diversas épocas da História.
Basta lembrar-nos das nossas avós e vemos que foram grandes mulheres, que se dedicaram de corpo e alma a cuidar dos filhos e da família, aliando a este trabalho cansativo, o trabalho do campo, conciliando-as com o papel de esposas obedientes, cumprindo as suas obrigações no seio do casal.
Com a Revolução Industrial, no século XIX, a mulher passou a trabalhar nas Indústrias Manufactureiras, e outras, em troca de um salário digno para poder dar melhores condições de vida ao seu agregado familiar. As tarefas executadas netas fábricas roçavam os limites da escravatura, com horários muito alargados que em nada dignificavam as mulheres. Realizavam trabalhos que os homens não queriam efectuar em troca de salários mais reduzidos e que não lhes atribuía estatuto social. Autores como Louis René Villermé (1840) e Frederich Engels (1845), deram voz a esta problemática das condições do operariado na França na Inglaterra do Pós-Revolução Industrial, dano grande destaque às condições das mulheres e crianças nas fábricas.
A 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de têxteis em Nova Iorque, realizaram a primeira greve reivindicando a redução do horário de trabalho, que era de dezasseis horas diárias. Insurgiram-se, ainda, contra o facto de os seus salários serem inferiores num terço em relação aos dos homens. Nessa luta, cento e trinta mulheres perderam a vida no decorrer de um incêndio que deflagrou no interior da fábrica. É em memória destas mulheres, e de outras, que lutaram por direitos de igualdade e de dignidade que todos os anos, neste dia, se comemora o Dia Internacional da Mulher.
A Segunda Guerra Mundial empurrará a mulher para o mercado de trabalho devido à mobilização dos elementos do sexo masculino para as frentes de batalha. Por quase toda a Europa, muitas mulheres têm de trabalhar fora de casa para prover o sustento da família. As fábricas de armamento empregam essencialmente mulheres, assim como as indústrias de têxteis que se dedicam ao fabrico de fardamento.
Quando o conflito termina, há uma recomposição das sociedades numa vertente mais tradicionalista, devido à necessidade de fomentar emprego aos homens regressados da Guerra, empurrando as mulheres novamente para a esfera doméstica. No entanto, seria nos anos cinquenta que iriam ser dados os primeiros passos para as mudanças nas mentalidades, reflectindo-se estas nos anos seguintes a nível das conquistas das mulheres de direitos cívicos, políticos e sociais.
Em Portugal, será só após o 25 de Abril de 1974, que passam a ser garantidos direitos iguais para todos, sem distinção de género, etnia ou religião. Valores esses que estão consagrados na Constituição de 1976. Estes direitos, hoje considerados como adquiridos, possuem apenas trinta e cinco anos de história em Portugal. Actualmente, o nosso país é reconhecido pelas boas práticas a nível das políticas de Igualdade de Género.
Com a chegada dos regimes democráticos à Europa, chegaram a Portugal os valores republicanos, aos quais estão associados os direitos individuais, a participação cívica e o direito à educação. A vida das mulheres começa a alterar-se, gradualmente. O século vinte é marcado pela entrada das mulheres na vida pública. As ideias republicanas vieram permitir que as mulheres começassem a ocupar cargos e a exercer profissões que até aí lhes estavam vedadas. Passam a ter o direito de trabalhar na função pública, de exercer medicina e advocacia.
Entre 1926 e 1933 assiste-se a um período de suspensão das liberdades da Constituição implementadas na 1ª República com a instauração da Ditadura Militar.
Durante o Estado Novo, o homem continuou a ser considerado o chefe de família, com plenos poderes sobre a vida do casal e dos filhos. A imagem defendida pela ideologia doutrinária do regime fez com que, sob a capa de protecção às mulheres, estas fossem remetidas para o lar, reservando ao homem o mercado do trabalho. Foi proibido às mulheres o exercício de profissões na administração pública, na diplomacia e na magistratura, entre outras.
No início dos anos sessenta, ainda era possível ter contacto com a imagem tradicional da mulher. No final desta década, as mulheres só podiam votar quando eram chefes de família e possuíssem cursos médios ou superiores. No caso das mulheres casadas, a obtenção de um passaporte dependia da autorização do marido, como deste dependia a possibilidade de montar um negócio, de sair do país ou de abrir uma conta bancária.
Com a adesão de portugal à EFTA, no final dos anos cinquenta, e com a entrada de capitais estrangeiros, o que permitiu um acentuado desenvolvimento das indústrias nacionais, Portugal modificou-se profundamente. Algumas mulheres encontraram trabalho nestas empresas mas o seu trabalho era, essencialmente, doméstico ou agrícola, muitas vezes não remunerado. Na década de sessenta, houve um acentuar da emigração. Com a saída do elemento masculino para o estrangeiro, coube à mulher decidir as questões ligadas à família. O seu papel começou a alterar-se e a sobressair no contexto social. Alimentado pelas notícias que os emigrantes traziam, estimulado pelas séries que a RTP começara a importar, invadido por turistas com hábitos estranhos, o país saía, por fim, da letargia. Quando em 1968 Salazar caía da cadeira, os valores que tentara inculcar estavam moribundos.
Em 1968, perante a impotência paterna, as meninas urbanas saíam e entravam em casa às horas que lhes apetecia. Nas farmácias vendia-se a pílula livremente. As mulheres declaravam que queriam trabalhar. À medida que as criadas de servir desapareciam, o número de filhos decrescia. Em 1971, as alterações ocorridas na sociedade reflectiam-se nos anúncios de pessoal doméstico. Arranjar uma criada começava a ser difícil. Antes as mulheres trabalhavam quase a troco de alojamento e alimentação mas agora, devido à emigração e à alteração de valores, a situação invertia-se. Os ordenados subiram em flecha. As raparigas usavam minissaias e os rapazes calças à boca-de-sino. A mobilização de jovens do sexo masculino para o ultramar, abriu “espaços à integração no mercado de trabalho, contribuindo em especial para uma elevada taxa de feminização na Administração Pública, muito embora, a diplomacia e a magistratura (bem como as polícias e as forças armadas) lhes continuassem vedadas e o direito de voto só pudesse ser exercido sob certyas condições”. (Concello et.al.2003:p.92)
Após a revolução de 1974, alguns grupos de mulheres começaram a reivindicar o fim da lei que despenalizava o aborto mas só em 1984 a lei que despenalizava o aborto num certo número restrito, passou. Com a Constituição da República Portuguesa de 1976, os valores democráticos definem-se. A igualdade de género, a igualdade de oportunidades, a igualdade no acesso à educação, entre outros, transformaram profundamente a vida das mulheres. O divórcio legalizou-se.
Nas últimas três décadas, Portugal mudou para além do que se julgara possível. A mobilidade social dos anos recentes é evidente. A mulher entrou em força no mercado de trabalho, em cargos cada vez mais destacados, devido à aposta na educação e na qualificação.
Actualmente, a mulher trabalha fora de casa e partilha responsabilidades no sustento da família. A família teve de se ajustar aos novos contextos familiares e sociais. (Celeste Rebordão)

sábado, 5 de março de 2011

A solidão...



Não consigo deixar de escrever tudo o que me afronta, tudo o que me põe em alerta, tudo o que me perturba...
Talvez porque não haja ninguém por perto para conversar...
Tornou-se tão dificil falar...as pessoas metem-se nas suas conchas... Têm receio da boca dos outros... Neste caso dos ouvidos que terminam numa boca enorme com uma língua interminável...
Diz-se e critica-se tudo sem que se analise o assunto, a situação, o motivo... Principalmente a motivação!
Há dias ouvi uma conversa deveras complicada para os meus ouvidos... Discutia-se porque razão fulano se teria suicidado. E criticava-se tal atitude...
Diz-se que a solidão mata... Mata de muitas maneiras...
A solidão das pessoas que não têm com quem desabafar, em quem confiar... Ou a solidão das pessoas que foram ensinadas a não chorar "mariquinhas, os homens não choram", a serem duronas, a não darem parte de fracas... A "engolirem em seco" muitas humilhações...



Felizmente que temos amigos... Felizmente que somos amigos de alguém...


Felizmente que há folhas em branco, filhos, amigos, livros, música, pintura, cinema, dança, animais, paisagens, água a correr, lágrimas e risos... Para desabafar!

Felizmente...


Amigos, ainda…

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas
jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos
que tivemos, dos tantos risos e
momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da
angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim…
do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades
continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem
sabe…nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas
tolices…
Aí, os dias vão passar, meses…anos… até
este contacto se tornar
cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo….
Um dia os nossos filhos verão as nossas
fotografias e perguntarão:
“Quem são aquelas pessoas?”
Diremos…que eram nossos amigos e……
isso vai doer tanto!
“Foram meus amigos, foi com eles que vivi
tantos bons anos da minha vida!”
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes
novamente……
Quando o nosso grupo estiver incompleto…
reunir-nos-emos para um último
adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar
mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para
continuar a viver a sua vida,
isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo…..
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde
amigo: não deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas
adversidades sejam a causa de grandes
tempestades….
Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os
meus amores, mas enlouqueceria se
morressem todos os meus amigos!



"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"

(Fernando Pessoa)




Oração do Nativo Americano pela Paz Mundial

Ó grande espírito de nossos antepassados, elevo meu cachimbo a você;
Aos seus mensageiros, nos quatro ventos, e à Mãe Terra, que provê os seus filhos.
Dê-nos a sabedoria para ensinar nossos filhos a amar, a respeitar e ser gentil com os outros, para que eles possam crescer com a paz na mente.
Vamos aprender a compartilhar todas as coisas boas que você nos provê nesta Terra.







terça-feira, 1 de março de 2011

Há pessoas...




Há pessoas...


Há pessoas para as quais apenas as aparências contam...

Fazem tudo para serem consideradas as melhores...

Só que neste frenesim de alcançarem esse estatuto esquecem-se da inteligência dos

que as rodeiam e no ridículo em que, a maior parte das vezes, incorrem.


Não é aquilo que se vê que conta... Conta sobretudo o que não se vê...

O anonimato não é menos importante...

Ser-se apenas mais um entre milhões...

Ser apenas mais uma gota de água deste imenso oceano onde vivemos...


Peca-se quer por excesso quer por defeito...







Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.

Fernando Pessoa



E quando não há mais nada a fazer bebe-se um bom vinho, ouve-

se (sem h) uma boa música, pensa-se em quem gostamos e dizemos "a vida é

bela".


Que ironia...

Mas continuamos sobretudo a sermos nós mesmos!

Não embarcamos em facilitismos...Never!

Nunca te rendas à mediocridade, ao fingimento, ao parecer... Porque um dia

poderás


pensar que essas formas de estar são as normais...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Joana Freixo




Para a Joana, menina que caminha em direcção ao Sonho da Vida: Ser feliz no mundo profissional que escolheu para si...



A Joana estudou na Escola Secundário Amato Lusitano e, actualmente, continua a sua formação em Évora, cidade linda, na concretização académica dos seus objectivos.


Porque o SONHO comanda a VIDA, aqui fica o meu ABRAÇO pleno de força para TI...




Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

(António Gedeão)

In Movimento Perpétuo, 1956


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O meu caderno de capa cinzenta...





São três horas e trinta minutos. Lá fora a noite está calma e fria. Por norma durmo bem mas, naqueles dias em que o sono teima em não vir por algum assunto por resolver, a cabeça dá voltas e voltas e eu regresso quase sempre ao mesmo lugar - ao lugar onde a felicidade andava de mão dada com a idade e tudo era ultrapassável. Pelo pensamento cruzam-se muitas coisas. Umas, numa tentativa de compreeender atitudes e comportamentos,  outras, sobre vários trabalhos que tenho que realizar e sobre os quais ainda não surgiu a ideia "base" para iniciar. Nestes últimos tempos, da era digital, através das redes sociais, tenho verificado que as atitudes não se alteraram muito das de há trinta anos atrás, tempo da minha adolescência. Todos os dias frases que ficaram imunes há passagem do tempo, por terem sido pensadas por pessoas com uma dinâmica de pensar inigualável, são utilizadas nos mais variados contextos. O mesmo acontece com excertos de livros que ficaram retidos na memória e dos quais nos socorremos numa tentativa de encontrar o rumo. Nesta onda de pensamentos lembrei-me do meu Caderno da Capa Cinzenta. É assim que o chamo apesar de não passar de um mero caderno cinzento, pautado, de tamanho A5. Era neste caderno que, na fase da adolescência, eu colocava os meus pensamentos, as tais frases tão marcantes e alguns extractos de livros que achava divinos. Como sei que só irei adormecer quando for vencida pelo cansaço e adversa que sou a "enganar" o sono através de meios químicos, resolvi levantar-me e procurar o tal caderno que me tem acompanhado. Engraçado como ele tem estado sempre num lugar bem próximo ao longo destes trinta e dois anos, numa das gavetas da minha secretária onde, actualmente, trabalho e estudo. Na capa gasta e com algumas dobras tem o ano colocado a tinta azul-1979... Olhei-o carinhosamente. Por estas folhas, amarelecidas pelo tempo, passaram momentos de lágrimas e de felicidade, tão próprios na vida de todos os adolescentes e em qualquer idade... Para alem das frases e dos excertos de livros, tem uma lista dos livros que já tinha lido, oitenta e nove , e dos livros que queria ler com os respectivos autores. Poemas, tantos, de Odette de Saint Maurice, datas de aniversários, desabafos, papelinhos escritos por amigas, poemas escritos para mim ... Manancial de recordações a cada página virada...



"Que o meu coração acompanhe sempre o teu pensamento"




"A mansidão das aves
que desçam dos abismos
do azul
que venham pousar
e tomar por morada
os teus olhos
e que a divagação
seja como o berço que
embala num vaivém
perpétuo em que as
asas brancas e as
soleiras do orvalho
acariciem os teus
sonhos róseos que
tomam por morada
a tua nave espacial
Que em cada
estrela encontres
uma força para sorrires
que cada flor germine no teu coração."


Tudo tem um tempo próprio para ser vivido, para ser sonhado, para ser utilizado...
A vida segue o seu percurso imperturbável com a passagem do tempo.
O passado faz parte do nosso presente e, de certa forma, condicionou-o mas somos sempre nós a escolher os próprios passos...


  • ...no tempo da minha adolescência estes tesouros eram resguardados dos outros OLHARES, atualmente os hábitos são bem diferentes ,,, tudo é exposto, tudo é mostrado,,, numa euforia como se essas frases fossem da autoria de quem publica,,, como se essas frases caracterizem quem as mostra,,, e não é bem assim...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

As pessoas com mais idade...





Ontem, foi divulgado pelos meios de comunicação social o caso de uma idosa que se encontrava morta há nove anos na sua residência. Todas as diligências necessárias para averiguar qual o seu paradeiro não foram efectuadas apesar dos vizinhos e familiares terem denunciado a situação.

Actualmente, há inúmeras pessoas de idade mais avançada a viverem completamente sós, votadas à solidão e ao abandono, quer pelos familiares, quer pela vida agitada que transforma as relações de vizinhança quase inexistentes. Um ser humano é sempre um ser humano independentemente da idade que tenha.



Diariamente, cruzo-me com pessoas de olhar triste como se a esperança de viver se tivesse desvanecido para sempre. O que nos custa trocar algumas palavras ou apenas um sorriso, um BOM-DIA???


Privamos os nossos filhos do contacto com os avós. Abandonamos os nossos familiares em lares ou na suas residências. Privamo-los do nosso carinho e da nossa companhia e, em simultâneo, estamos a perder o que têm para nos transmitir. Retiramos-lhes o prazer de disporem de algumas economias para as utilizarem de acordo com os seus desejos. Usam roupa que não escolhem. São tratados como crianças, que não são, o que os entristece.
Tudo isto é violência!

Não valorizamos a sabedoria que possuem! O mesmo não sucede noutras sociedades consideradas "atrasadas".


Os dois Lobos

"Um velho Índio Cherokee iniciava o seu neto nos propósitos da vida:
'Uma luta ocorre dentro de mim', dizia ele ao menino. 'É uma luta terrível entre dois lobos. Um é cheio de inveja, cólera, avareza, ciúmes, arrogância, ressentimentos, possessão, mentiras, superioridade, orgulho. O outro é bom. Ele é pacifico, feliz, sereno, humilde, generoso, verdadeiro e cheio de compaixão. Esta luta está também dentro de você, minha criança. Está também dentro de cada pessoa'.
O menino pensa um instante e interroga o avo: 'Qual dos dois lobos ganhara a luta?' O velho Índio responde-lhe simplesmente: 'Aquele que você alimentar'. "



Lenda Sioux da Águia e do Falcão


Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo...

- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte... e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.

E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.

O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu eram verdadeiramente formosos exemplares...

- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue? Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.

- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.

E o velho disse:

- Jamais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro...

Se quiserem que o amor entre vocês perdure... voem juntos... mas jamais amarrados.





"A sobrevivência da cultura Guarani, ágrafa por natureza, depende da oralidade dos
membros da família, em especial dos idosos da comunidade. Os povos originários
construíram a história através da memória. Através da oralidade dos “mais velhos” que, por meio de relatos sobre o passado da etnia, revela e cria um vínculo entre os jovens e sua história. Fato significativamente importante para a expansão idiomática e a preservação cultural.
O relacionamento dos “mais velhos” com os mais jovens, propõe um círculo de
amizade e respeito mútuo. Buscam juntos, novos e antigos conhecimentos em estreita harmonia com a dinâmica da vida, sem perder a identidade Guarani. A partir dos 40 anos5 o membro da comunidade “Yynn Morati Wherá” é considerado “idoso”. Que não tem haver com a idade cronológica, como na sociedade nacional, mas pelo conhecimento acumulado da comunidade em que vive. Este pode aconselhar e orientar em caso de ser solicitado para esta tarefa. Entretanto há um membro que imprime o passado e o futuro das gerações Guarani: o Pajé ou Karai6.
Os “mais velhos” da comunidade contam com um valor especial por serem os fios
condutores da cultura, da língua, dos costumes, dos rituais. Destes últimos, os Pajés são líderes religiosos que oralmente transmitem os conhecimentos de seu povo para os mais jovens. Respeitados por sua sabedoria diante das inquietudes dos mais jovens, são consultados enquanto líderes sobre as mais variadas situações políticas e estruturais como a andança” de seu povo. Foi com um líder espiritual e através de suas visões que no século XIX, os Guaranis deixaram seu passado com os colonizadores para encontrar a “Terra sem Males”. Em sua expedição foram guiados por um líder." (Relatos de Iniciação Científica Idosos Indígenas e Comunicação: olhares e aproximações
DOS SANTOS, Scheila1
TORRES-MORALES, Ofelia Elisa2)


Violência contra idosos aumenta em Portugal

Os crimes de violência a vítimas com mais de 64 anos aumentaram de oito para 25 mil nos últimos cinco anos revela um estudo, que cita dados da Polícia de Segurança Pública. O aumento das denúncias pode constituir uma explicação para a elevada subida dos números da violência, sustentou fonte da PSP.

“Os idosos são vítimas silenciosas, já que não apresentam queixa por medo”, explicou fonte da Procuradoria-Geral da República. O gabinete de Pinto Monteiro recebe centenas de denúncias de casos de violência contra idosos. O procurador vai pedir às distritais de Lisboa, Porto, Évora e Coimbra para alertar autarquias, juntas e Segurança Social que denunciem os casos que cheguem ao seu conhecimento.
Pinto Monteiro disse é prioritário combater a violência nos idosos. “Não há nenhuma crítica que me faça desistir do meu caminho” e o facto de serem poucas as denúncias de violência nos idosos explica que a necessidade e urgência em “tomar medidas”.
A agressão a idosos reveste-se de variadas formas: negligência nos Cuidados de saúde e abandono, abusos físicos, maus tratos psicológicos, negligência por abandono, negligência por administração de doses erradas de medicamentos para acalmar o idoso, negligência nos cuidados de saúde, abuso sexual e tentativas de extorsão de dinheiro (em casos de filhos com pais pouco lúcidos). (Fonte: RTP / Agência Lusa)



Dez Réis de esperança

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das pernas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

(António Gedeão)






terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Exposição de Fotografia-Rui Dias Monteiro



Figura na Paisagem



Na Sala da Nora, Cine-Teatro Avenida, de 5 a 27 de Fevereiro, exposição de fotografia de Rui Dias Monteiro.


Exposição que reune vinte e uma fotofrafias. Uma que se realça devido ao seu tamanho. Um cão preto que foge...

Imagens do quotidiano onde o escuro salienta o claro. Luz e sombra. O doce colorido que nos transporta à realidade da natureza.


Lindas imagens de cor vestidas. Imagens do quotidiano da vida guardadas na memória de todos nós.


"A expor desde 2005, Rui Dias Monteiro, natural de Castelo Branco, é um dos fotógrafos mais promissores da sua geração. Tendo frequentado o Curso Avançado de Fotografia do Ar.Co, com Bolsa que lhe foi atribuída em 2006 fez uma viagem a Nova Iorque que mudou para sempre o seu olhar. Aos 22 anos, Rui Dias Monteiro publicou por diversas vezes portfolios em publicações, participou na VIII Bienal de Artes Plásticas do Montijo e em várias exposições colectivas. Na galeria Boavista 132, apresentou a sua primeira exposição individual, Lavagem a seco (2006)." (Ricardo Paulouro)





Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)


Salvador Dali – Surrealismo - Óleo sobre tela