quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Porquê???


 Porquê???


Todos os dias me surgem temas sobre os quais gostaria de escrever como desabafo, como constatação, como interrogação, numa tentativa de aliviar ou procurar noutras pessoas uma resposta, um equilíbrio mas o dia passa tão rápido e o tempo sempre ocupado noutras tarefas mais exigentes fazem com que as ideias se escapem por entre os dedos; Com que as dúvidas se camuflem na realidade diária que exige sempre mais. Vem-me a frase da minha irmã mais nova que dizia com frequência que o dia devia ter quarenta e oito horas para poder concretizar tudo o que queria realizar. Antes eu não entendia porque o que eu desejava era que a noite viesse rápida para que um dia novo chegasse com mais luz do que o anterior.

Porquê???

A interrogação surge no meio de tarefas que não exigem muita concentração mas que, sem as quais o meu pequeno mundo deixaria de ser funcional. E esta reflexão traz-me o livro "Mulherzinhas" que li na minha adolescência. Também aí se aborda o tema das vantagens de ter o nosso espaço arrumado, limpo, organizado para que a vida se torne mais fácil e decorra sem pequenas contrariedades.

Porquê?

Porque tenho tantos livros começados e não termino a sua leitura? Se, no entanto, todos eles me arrebataram no início. Ali estão a "olhar" para mim a suplicarem que os termine. Porque me aborrecem lá para o meio? Será por ser previsível o seu final? Será por terem um enredo tão elaborado, com tantas curvas e contracurvas que me aborrecem??? Dou por mim a reler, uma e outra vez, os que me acompanharam, os que sempre ficaram na minha mente e, de cada vez que o faço, parece-me uma leitura nova, com novas imagens com novas interpretações.

Porquê?

Porque me incomodam as conversas de pessoas que frequentam as redes sociais e que falam com naturalidade que andam a espreitar "os seus amigos" sem que eles saibam pois optam por estar offline???
Veem-me imagens de detetives ou polícias  ou pessoas mal formadas ou mal intencionadas que, no escuro da noite (o escuro de um ecrã), vigiam os passos ou o estar ou o ser de outros... Interrogo-me, será normal que  os valores da ética e da moral se percam nestas redes? Será que este estar não está a (de)formar pessoas para a desumanidade, para o desiquílibrio???
Será que são felizes???
Porquê tanta desconfiança e interesse na vida alheia?
Porque enchem a sua vida de nada???
Deixei as redes sociais há quase quatro anos por decisão consciente. Sinto-me mais tranquila, mais livre, mais anónima,,, mais eu comigo.

Porquê??? 
Porque abdico do prazer de ir a uma sala de cinema e mergulhar, durante algumas breves horas, num mundo extraordinário e surpreendente por outros criado, realizado e interpretado com uma banda sonora inolvidável??? Apenas, e tão somente, porque  o som está tão alto que se torna num atentado à concentração, ao conforto mental e físico o oposto do que procuro neste espaço de "escurinho do cinema chupando drops de anis"... o oposto, a contradição...

Porquê????
  • Porque não consigo "aquecer a cadeira" num qualquer espaço púlico?
  • Porque é que, a cada dia que passa, mais me apraz assistir de "camarote" aos programas culturais, informativos e às séries que a RTP2 (culta e adulta) nos oferece a cada noite?
  • Porque é que cada vez mais procuro o meu silêncio?
  • Porque é que é na paz de mim, na paz dos espaços vazios ou cheios de apenas de  mim e da vida por mim criada ou cuidada ou com aqueles que me respiram e que eu respiro me sinto viva??? 

Fico-me por aqui porque as interrogações são tantas, tantas...



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