

Após terminar a Escola Primária, com apenas dez anos, em 1972, iniciei o 1º Ano do Ciclo Preparatório TV. Foi uma experiência enriquecedora e cuja aprendizagem ainda hoje recordo com alguma nostalgia. Assistiamos às aulas, que eram orientadas por um monitor, completamente em silêncio. Todas as disciplinas eram apresentadas com rigor e guardo na memória o nome de alguns professores que nos ensinavam através do ecrã de televisão. A Manuela Melo, com a sua voz suave e grande capacidade de nos prender a atenção, foi um deles.
Declamava poesia com uma leveza que me envolvia profundamente.
A telescola, sistema de ensino via televisão, arrancou em Portugal a 6 de Janeiro de 1965, com programação produzida nos estúdios da Radiotelevisão Portuguesa do Monte da Virgem, no Porto. Os alunos eram acompanhados nos postos de recepção por monitores. A intenção era permitir o cumprimento aos alunos da escolaridade obrigatória, na altura constituída pelos quatro anos da Escola Primária e os dois Ciclo Preparatório. A nível geográfico a telescola pretendia servir as zonas rurais isoladas e zonas suburbanas com escolas superlotadas. Nesta época, havia cerca de mil alunos matriculados, mas toda a população tinha acesso através da televisão às emissões que ocupavam parte da programação da tarde da RTP. A telescola portuguesa foi uma das mais bem sucedidas na Europa. No início da década de 70, a reforma do ensino ditou o alargamento da escolaridade obrigatória para oito anos. Nos casos em que não fosse possível proporcionar ensino directo aos alunos este podia ser substituído pela telescola. Na década de 80, com a chegada e vulgarização dos videogravadores, a telescola deixou de ser transmitida pela televisão, libertando assim essas horas para outros programas. Os conteúdos apresentados nas videocassetes tinham um complemento de informação prestado por um tutor.



Terminei a Telescola com doze anos, em 1974. Ano da Revolução dos Cravos. Seguiram-se tempos conturbados mas na nossa cabeça de pré-adolescentes não existiam medos nem a noção do que se passava no país. A verdade é que os meus pais não permitiram que continuasse os estudos em Castelo Branco. Até aos dezasseis anos permaneci na minha aldeia. Li tudo a que tinha acesso. Foram anos de outra aprendizagem. Mas a insatisfação era constante e um dia vim matricular-me na Amato apenas com o consentimento da minha mãe. O meu pai soube na véspera do início do ano escolar. Ficou em silêncio a olhar-me. No entanto, ficava extremamente orgulhoso quando lhe mostrava as notas que ia obtendo... Obrigado Pai, obrigado Mãe... Só damos valor ao que nos custa a atingir e todos os conhecimentos são fruto de aprendizagem.
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