terça-feira, 12 de abril de 2011

Exposição de pintura de Natércia Pinto e Alves Thomé...


Hoje, fui visitar a exposição de pintura que se encontra na Sala da Nora do Cine-Teatro da nossa cidade, intitulada À PROPOS DU MOUVEMENT.


Esta exposição é da organização do Lions Clube de Portugal. 50% das verbas relativas às vendas serão oferecidos pelos Pintores e reverterão para apoiar a aquisição de uma cadeira de rodas especial, para uma criança de Castelo Branco com paralisia infantil.

Acto nobre e de enaltecer. Desde já, aqui fica o meu obrigada aos Pintores e ao Lions Clube de Portugal.


Cor e movimento. Pintura a óleo sobre tela.

A visitar até ao próximo dia 16 de Abril.



Coisas, Pequenas Coisas


Fazer das coisas fracas um poema.


Uma árvore está quieta,


murcha, desprezada.


Mas se o poeta a levanta pelos cabelos


e lhe sopra os dedos,


ela volta a empertigar-se, renovada.


E tu, que não sabias o segredo,


perdes a vaidade.


Fora de ti há o mundo


e nele há tudo que em ti não cabe.


Homem, até o barro tem poesia!


Olha as coisas com humildade.


(Fernando Namora, in "Mar de Sargaços")


sábado, 9 de abril de 2011

V centenário de Amato Lusitano (1511-1568)

João Rodrigues de Castelo Branco, famoso e celebrado médico e humanista português , que passou à história com o nome de AMATO LUSITANO nasceu em Castelo Branco, em 1511, filho de pais judeus. Estudou Medicina na Universidade de Salamanca. Por ser judeu, foi impedido de regressar a Portugal devido às perseguições da Inquisição, o que o levou a viajar para Antuérpia, onde publicou o seu primeiro livro «Index Dioscoridis» (1536). É aí, que adopta o nome de Amato Lusitano, com o qual passa a assinar as suas obras.

Foi senhor de cultura superior, homem do mundo, verdadeiro paradigma da ciência médica do Renascimento, um dos percursores do experimentalismo apoiado no primado da razão.

Viajou por toda a Europa e fixa-se em Ferrara, na Itália. Foi Professor de Anatomia, na Universidade de Ferrara, e assistente do então famoso Cananus. Inicia a escrita da primeira Centúria que dedica a Cosme de Médici. A instabilidade política e religiosa que então se vivia em Itália levou-o a Roma, onde foi médico do Papa Júlio III, Ancona, Pesaro, mas a intensificação da perseguição anti-semita — com a nomeação do Papa Paulo IV — forçaram-no a abandonar a Itália e buscar refúgio no Império Otomano. Primeiro em Ragusa, actual Dubrovnik, que na altura era uma República Independente e, depois, em Tessalónica, hoje Salónica, Grécia, cidade com grande população judaica; parte do Império Otomano, onde escreveu a sua sétima e última Centúria, local onde pereceu, em 1569, com 57 anos, vitimado pela peste que tentou combater. Amato Lusitano foi um poliglota. Dominava o Latim, o Grego, o Hebraico, o Árabe, o Português, o Castelhano, o Francês, o Italiano, o Alemão e, presume-se, o Inglês. Max Solomon, um seu biógrafo, considerou-o como «o Homem que representa a Medicina do século XVI, como erudito, anatomista e clínico». Era conhecido e respeitado, privando de perto com importantes personalidades do mundo ocidental.


Excerto do seu Testamento que revela a sua nobre personalidade: «Sempre tratei os meus doentes com igual cuidado, quer fossem pobres ou nascidos em nobreza, sem procurar saber se eram hebreus, cristãos ou sequazes da lei Maometana; Sempre fui parcimonioso nos honorários e muitas vezes sem qualquer paga, tendo sempre mais em vista que os doentes recobrem a saúde do que tornar-me rico pelos seus dinheiros; Como autor de escritos médicos e ao publicar os meus livros quis só promover que a fé intacta das coisas chegasse ao conhecimento dos vindouros, sem outra ambição que não fosse contribuir de qualquer modo para a saúde da humanidade, sem nada fingir, acrescentar ou alterar em minha honra».


Palavras GRANDES...


Juramento de Amato Lusitano, publicado no ano de 1559.


«Juro perante Deus imortal e pelos seus dez santíssimos sacramentos, dados no Monte Sinai ao Povo Hebreu, por intermédio de Moisés, após o cativeiro no Egipto, que na minha clínica nunca tive mais a peito do que promover que a Fé intacta das coisas chegasse ao conhecimento dos vindouros. Nada fingi, acrescentei ou alterei em minha honra ou que não fosse em benefício dos mortais. Nunca lisonjeei, nem censurei ninguém ou fui indulgente com quem quer que fosse por motivo de amizades particulares; Sempre em tudo exigi a verdade; Se sou perjuro, caia sobre mim a ira do Senhor e de Rafael seu Ministro e ninguém mais tenha confiança no exercício da minha arte; Quanto a honorários, que se costuma dar aos médicos, também fui sempre parcimonioso no pedir, tendo tratado muita gente com mediana recompensa e muita outra gratuitamente. Muitas vezes rejeitei firmemente grandes salários, tendo sempre mais em vista que os doentes por minha intervenção recuperassem a saúde do que tornar-me mais rico pela sua liberalidade ou pelos seus dinheiros; Para tratar os doentes, jamais cuidei de saber se eram hebreus, cristãos, ou sequazes da Lei Maometana; Nunca provoquei a doença; Nos prognósticos sempre disse o que sentia; Não favoreci um farmacêutico mais do que outro, a não ser quando nalgum reconhecia, por ventura, mais perícia na arte e mais bondade no coração, porque então o preferia aos demais; Ao receitar sempre atendi às possibilidades pecuniárias do doente, usando de relativa ponderação nos medicamentos prescritos; Nunca divulguei o segredo a mim confiado. Nunca a ninguém propinei poção venenosa; Com a minha intervenção nunca foi provocado o aborto; Nas minhas consultas e visitas médicas femininas nunca pratiquei a menor torpeza; Em suma, jamais fiz coisa de que se envergonhasse um Médico preclaro e egrégio. Sempre tive diante dos olhos, para os imitar, os exemplos de Hipócrates e Galeno, os Pais da Medicina, não desprezando as Obras Monumentais de alguns outros excelentes Mestres na Arte Médica; Fui sempre diligente no estudo e, por tal forma, que nenhuma ocupação ou circunstância, por mais urgente que fosse, me desviou da leitura dos bons autores; Nem o prejuízo dos interesses particulares, nem as viagens por mar, nem as minhas pequenas deambulações por terra, nem por fim o próprio exílio, me abalaram a alma, como convém ao Homem Sábio; Os discípulos que até hoje tenho tido, em grande número e em lugar dos filhos, tenho educado, sempre os ensinei muito sinceramente a que se inspirassem no exemplo dos bons; Os meus livros de Medicina nunca os publiquei com outra ambição que não fosse o contribuir de qualquer modo para a saúde da Humanidade; Se o consegui, deixo a resposta ao julgamento dos outros, na certeza de que tal foi sempre a minha intenção e o maior dos meus desejos” .


Feito em Salónica, no ano do Mundo 5.319 (1559 da nossa Era).




Em 1946, o Instituto Português de Oncologia iniciou, pela primeira vez em Portugal, a edição da obra de Amato Lusitano, traduzida por Firmino Crespo e José Lopes Dias.


5 de Janeiro de 2011 Nova edição - Amato Lusitano

A Ordem dos Médicos acaba de reeditar as Centúrias de Curas Medicinais de Amato Lusitano, editadas em 1980, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Trata-se de uma reedição de grande importância no panorama editorial português e está disponível em dois volumes.


Em Castelo Branco, foi dado o nome de Amato Lusitano a várias instituições, como exemplo a Escola Secundária Amato Lusitano e o Hospital Amato Lusitano, em homenagem a este vulto da ciência e da nossa cultura.


As comemorações do V centenário do nascimento de Amato Lusitano tiveram início no dia 20 de Janeiro, junto à estátua do médico, no chamado Jardim Amato Lusitano, no centro da cidade de Castelo Branco, com uma sessão pública de homenagem e a apresentação de algumas plantas da sua farmacopeia.


No dia 18 de Fevereiro, na Biblioteca Municipal, teve lugar a conferência, pelo Professor Marinho dos Santos da Universidade de Coimbra, intitulada "A história de Amato Lusitano na História de Portugal".


No mesmo dia, teve lugar no Cine Teatro de Castelo Branco, um concerto de música clássica "Cultura politécnica" pela sinfónica da Escola Superior de Artes Aplicadas (maestro Luis Carvalho) dedicado a Amato Lusitano (houve, na abertura, leitura de textos famosos do destacado albicastrense).


No dia 21 de Março, outra conferência, na mesma Biblioteca: "O meu Amato Lusitano", pelo Professor Ferraz de Oliveira, da Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade de Lisboa; A próxima sessão será sobre "Amato Lusitano em Salamanca", por docentes da Universidade de Salamanca, Professores Emílio Rivas Calvo e Carlos d´Abreu, e ainda pelo jornalista Miguel Santolaya.


Outras conferências previstas estarão a cargo, entre outros, do Professor Fernando Catarino (Botânica) e do Professor Luis S. Grangel (História da Medicina).


Entre 7 e 29 de Maio, estará aberta ao público na Sala da Nora a exposição fotográfica intitulada "O Corpo do Coração" sobre os espaços vivenciais de Amato Lusitano (interiores e exteriores);


Outras exposições previstas:




  • "Património judaico à época de Amato Lusitano", nos dias 17 e 18 de Outubro 2011; e em Novembro de 2011: sobre o escultor da estátua de Amato Lusitano, em Castelo Branco, "Martins Correia";


  • a exposição "Amato: Vida e Obra" (bibliográfica dos estudiosos de todos os tempos de Amato Lusitano), nos dias 10, 11 e 12 de Novembro de 2011;


  • e "Amato Lusitano: O Homem e a Obra", resultante do Concurso de trabalhos literários e de artes plásticas dos alunos das Escolas de Castelo Branco, também nos dias 10, 11 e 12 de Novembro de 2011;


  • Jornadas de Arquitectura "A cidade na época de Amato Lusitano", nos dias 17 e 18 de Outubro de 2011;


  • Jornadas de História da Medicina (XXIII Jornadas de Estudo "Medicna na Beira Interior – da pré-história ao séc. XXI") subordinadas ao tema "Os saberes intemporais de Amato Lusitano".

Publicações (já saídas ou no prelo):




  • "Amato Lusitano Judeu Errante", de Armando Moreno;


  • "Amato Lusitano – Cidadão de Castelo Branco", de José Lopes Dias (reedição);


  • "Ode a Diogo Pires, primo de Amato", de António Salvado;


  • "A história de Amato Lusitano na História de Portugal", de Marinho dos Santos;


  • "O meu Amato Lusitano", de Ferraz de Oliveira;


  • "Dr. Amado – 500 anos", de Alfredo Rasteiro;


  • "Ensaios Amatianos", dois volumes;


  • "Cadernos de cultura "Medicina na Beira Interior – da pré-história aos séc. XXI", 25º volume;


  • Lançamento da revista "Grafema" (dezembro 2011).

Dentro das comemorações, por investigadores liderados pelo Professor António Andrade, da Universidade de Aveiro, a primeira tradução do latim para português das obras de Amato Lusitano: "Index Dioscorides" e "Ennarrationes".


Previstas ainda duas sessões de Música e Poesia (Julho e Agosto 2011); uma prova de pratos típicos relacionados com Amato Lusitano (Setembro 2011)."



Exposição "O Corpo Do Coração Horizontes de Amato Lusitano"


Na Sala da Nora do Cine-Teatro Avenida










Até ao dia 29 de Maio





Juramento de Amberes





Adeus, meus pais. Vou directo para



Amberes, onde não me faltarão



clientes e amigos portugueses.



A.L.



Juro voar como o vento que sopra



se alguém descobrir o meu secreto alfabeto



e tornar e recordar o povo judio



cujo sangue soube saltar de lugar em lugar.





Juro não me deter nem por património



mesmo quando a perseguição for interminável



e que mãos inquietas vão atrás do meu pescoço



para encherem o seu mundo com outro fantasma





Juro mudar de nome durante centúrias



até ser aliado do Deus mais protector



da minha estirpe, já desterrada pelo Egipto



ou na velha Europa da Inquisição





Juro recordar os sete anos de Amberes



e não deixar que a temperaura do exílio



apague do meu coração o mapa português



que levo guardado desde Castelo Branco.


(Versão de António Salvado)


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dia de SOL, de GIESTAS em flor.......


Como já se anunciava, hoje o dia é de SOL no coração...

Após a tempestade vem sempre a BONANÇA... Dar o tempo necessário para que tudo se harmonize...

Lindas as giestas em flor...amarelinhas da cor do sol, fonte de vida e de harmonia. 

Lindo ramo silvestre de giestas em flor...linda a Primavera com toda a sua beleza.
 


Penso em Ti e Dentro de Mim Estou Completo

Vai alta no céu a lua da Primavera

Penso em ti e dentro de mim estou completo.

Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.

Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.



Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,

E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.

Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,

Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,

Isso será uma alegria e uma verdade para mim.


Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"


terça-feira, 5 de abril de 2011

Há dias assim...



Há dias em que não apetece lutar por mais nada...ficar quietinha num canto e não ouvir, não sentir, não respirar...

Há dias que sei que vão terminar, apesar de toda a angústia sentida ao longo de horas, com as ideias mais "assentes"...basta esperar e reflectir...não há nada mais importante que alcançar o ponto X...aquele em que nos reencontramos e sabemos quem somos, o que queremos e a força que encerramos...não é exigido que venha de fora até nós... Necessáriamente, as pessoas lutadoras sabem que ela vem de dentro para fora...basta aguardar e não nos entregarmos à tristeza que teima em regressar... Sabemos do que somos capazes...


Amanhã, o dia voltará a amanhecer com toda a sua beleza que se estenderá até uma nova aurora.


Amo viver a vida, bebê-la em sorvos lentos ou rápidos...abraçar cada minuto de cada dia, AMAR cada encontro, cada passada, cada sopro de vento, cada raio de sol...

É aqui, nestas "páginas em branco"que reencontro a tranquilidade, que liberto os meus ais, que me abraço, que me motivo, que volto a NASCER!!!


Um abraço a todos os meus amigos.

domingo, 20 de março de 2011

Albi-Sport, na nossa cidade...






Bem no centro da cidade, junto ao Pavilhão Municipal e da Residência de Estudantes, situa-se o Albi-Sport.

O Albi-Sport tem courts de ténis e toda a zona envolvente é calma e respira-se tranquilidade. Em plena comunhão com a natureza, ouve-se o chilrear dos pássaros e a brisa passa ligeira por entre a folhagem das árvores que circundam o espaço.

Numa manhã destes dias já primaveris, estive na esplanada deste espaço e falei com Rael Endrigo, actual explorador do bar albisport caffe... Numa conversa amena, falou-me dos projectos que gostaria de desenvolver e, como exemplo, referiu exposições de arte. Ideia que muito me agradou, uma vez que o espaço transpira calma e luminosidade. O interior do bar é claro e amplo e, da esplanada ao ar livre, vêm-se os courts de ténis onde há sempre actividades ligadas a este desporto.
Local óptimo para estudar, devido ao sossego, o espaço dispõe de Internet Wireless, o que se torna uma ajuda nos trabalhos escolares.
Dispõe de parque de estacionamento no exterior.




domingo, 13 de março de 2011

A actualidade


Todos os dias ouvimos vozes que incitam à revolta, à união para que as vozes se façam ouvir contra um governo... ouvimos queixas de falta de trabalho, de trabalhos precários, de trabalhos mal pagos,de estágios não remunerados...
Sempre trabalhei com contratos...nunca fui funcionária pública... Mas já trabalhei com funcionários públicos...
Assisti a tantos despropósitos em todos os locais... Assisti a subsídios a serem camuflados, a saídas para idas ao cabeleireiro durante o horário laboral, à saída para fazer as compras semanais no supermercado ao lado... Ao assinar o livro de ponto e sair-se para tomar o pequeno almoço...aos vinte minutos, ao meio da manhã, para outro pequeno almoço... "Celeste não trabalhe tanto senão ficamos mal vistas...", até ao dia em que por incumprimento dos prazos, o trabalho das "funcionárias públicas" foi entregue a uma empresa privada e a secção foi dissolvida...Claro, que todas as funcionárias foram "encaixadas" noutros serviços e, provávelmente, hoje continuam a ter o mesmo ritmo de trabalho...lento, quase nulo... Quero pensar que eram uma excepção...



Por razões familiares, já vivi em vários pontos do país. Sempre trabalhei sob contratos nas empresas privadas por onde passei. Sempre fui avaliada pelo meu desempenho. Tal facto, nunca me perturbou. As empresas só sobrevivem se os funcionários, os métodos de trabalho e incentivos estiverem em uníssono: Se houver produtividade e escoamento de produtos.



O que mais me perturba é a fuga aos impostos. Todos sabemos que um Estado só pode desenvolver e implementar políticas de saúde, de educação e de protecção social graças aos impostos. Só pode desenvolver infra-estruturas pelos impostos. Temos esta cultura enraizada de contornar o nosso dever de pagar impostos. Deles dependem um vasto conjunto de sistemas que nos protegem, dão segurança e nos conduzem ao progresso. As culturas do norte da europa são muito diferentes: o pagamento de impostos é um bem adquirido e quem "foge" é conectado como um criminoso e não como um "espertalhão"...


Outros países há em que os jovens adultos, para poderem pagar os seus estudos, trabalham em horários compatíveis...e fazem-no orgulhosmente, responsávelmente... Estamos a tornar-nos num país de débeis, em que os jovens adultos só deixam o lar familiar quando têm o futuro assegurado... O futuro será sempre uma incerteza!!! Queremos tudo controlado, tudo por escrito... Certamente os nossos pais foram mais felizes e mais batalhadores... Vejo jovens de trinta e tal anos como se fossem adolescentes... Mas estamos a tornar-nos num país de quê?!!! Quando vai começar a luta, dentro de cada um, e chamarmos as coisas pelos seus nomes? Os partidos políticos atiram culpas uns aos outros, ridicularizam a classe política, fazem jogos no Parlamento como fazem as crianças na escola... Sinceramente, estou a começar a ter vergonha do meu País! E não queria...porque a Esperança sempre foi minha irmã e a Felicidade minha amiga...

Que sejam felizes!

Celeste Rebordão





Um dia, isto tinha de acontecer. Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Es...tá à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós). Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!! Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta. Pode ser que nada/ninguém seja assim.(Mia Couto)


"Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa"

"Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o melhor de si próprio. É necessário obrigá-lo a saltar obstáculos. A primeira tarefa de educador é procurar varas bem altas e obrigá-lo a saltar. Baden-Powell [...] queria, para todos os rapazes e para todas as moças, quando chegassem a essa idade, uma educação que lhes temperasse a vontade, não mais gente na rua vendo gente passar, não mais gente encostada pelas portas dos cafés, não mais gente de 20 anos vergonhosamente desocupada, passando todo o dia sem fazer coisa nenhuma, fraquíssima de carácter, fraquíssima de corpo, esperando que chegue o tempo de jantar para que chegue o tempo de dormir para que chegue o tempo de se levantar" – Agostinho da Silva, Baden-Powell, Pedagogia e Personalidade [1961], in Textos e Ensaios Pedagógicos II, pp.26-27.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Exposição de Ilustração Científica-Marcos Oliveira


Hoje,fui visitar a nova exposição, inaugurada no Sábado na Sala da Nora, da nossa cidade.
Gostei imenso, por esse motivo deixo aqui algumas imagens desses trabalhos.


Na Sala da Nora, Cine-Teatro Avenida.

Marcos Oliveira, Licenciado em História, variante de História da arte, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ilustrador profissional desde 1994, especializado em Ilustração Científica Biológica e em reconstituição histórica e pré-histórica.


Tem ilustrado, principalmente, a Fauna e a Flora Ibéricas.



De 5 a 27 de Março.

Terça a Domingo, das 14 às 19 horas.




A visitar.