sábado, 1 de julho de 2017

só ruído lá fora



 Só ruído... tanto ruído, lá fora.

O exibiciosnimo pedante. Tanto herói, tanto mérito, tanta glória.
Tanta mente inchada pelos feitos seus, gritados aos ventos.

Tudo o que é demais cansa, lá diz o ditado,,, faz acionar o mecanismo da desconfiança e a interrogação instala-se.

Aqui MorA a Paz, o Silêncio de apenas SER-SE.
















Que me deiam flores... deiam-me apenas flores e um sorriso...


 ... ou flores, um sorriso e...

...um livro


Dai-me rosas e lírios

Dai-me rosas e lírios,
Dai-me flores, muitas flores
Quaisquer flores, logo que sejam muitas...
Não, nem sequer muitas flores, falai-me apenas
Em me dardes muitas flores,
Nem isso... Escutai-me apenas pacientemente quando vos peço
Que me deis flores...
Sejam essas as flores que me deis...
Ah, a minha tristeza dos barcos que passam no rio,
Sob o céu cheio de sol!
A minha agonia da realidade lúcida!
Desejo de chorar absolutamente como uma criança
Com a cabeça encostada aos braços cruzados em cima da mesa,
E a vida sentida como uma brisa que me roçasse o pescoço,
Estando eu a chorar naquela posição.
O homem que apara o lápis à janela do escritório
Chama pela minha atenção com as mãos do seu gesto banal.
Haver lápis e aparar lápis e gente que os apara à janela, é tão estranho!
É tão fantástico que estas coisas sejam reais!
Olho para ele até esquecer o sol e o céu.
E a realidade do mundo faz-me dor de cabeça.
A flor caída no chão.
A flor murcha (rosa branca amarelecendo)
Caída no chão...
Qual é o sentido da vida?
Fernando Pessoa










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