terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Arte,,,

  A pensar nas Obras de Arte...

O traço, o gesto, a profundidade, a perspetiva, as técnicas, a cor, o pormenor, o equilíbrio... mas, para mim, o mais importante é a emoção que transmitem. As sensações que desencadeiam.

Muitos autores não conseguem transportar essa "carga" para os trabalhos (transmitir uma sensação, uma emoção para quem olha, para quem lê, para quem ouve) apesar de falarem imenso que é isso que os move.

Penso que essa capacidade, aliada à criatividade,  é o que distingue o verdadeiro Artista. Tudo o resto aprende-se em disciplinas ligadas às artes e nas Escolas de Arte e, também, pela continuidade (desde que se tenha apetência) mas transmitir uma emoção são poucos que o conseguem.

Arte será sempre algo único.

🌻🌻🌻

Esta é a minha opinião algo que ninguém pode calar porque é um direito (liberdade de expressão) que a Democracia me concede, para mal daqueles que apenas pretendem ver expostas críticas positivas.

As críticas negativas são objeto de perseguição, de ameaças anónimas e veladas, de calúnia, de vocabulário impróprio... tudo tão negativo como a capa do anonimato que é utilizada e que apenas caracteriza os emitentes: a incapacidade de aceitar o negativo, parca formação pessoal, falta de sentido da ética e da moral.

Também  as críticas negativas  levam ao crescimento... assim haja a humildade de aceitar as imperfeições.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Noite Apressada

 NOITE APRESSADA

David Mourão-Ferreira 


Era uma noite apressada

depois de um dia tão lento.

Era uma rosa encarnada

aberta nesse momento.

Era uma boca fechada

sob a mordaça de um lenço.

Era afinal quase nada,

e tudo parecia imenso!


Imensa, a casa perdida

no meio do vendaval;

imensa, a linha da vida

no seu desenho mortal;

imensa, na despedida,

a certeza do final.


Era uma haste inclinada

sob o capricho do vento.

Era a minh'alma, dobrada,

dentro do teu pensamento.

Era uma igreja assaltada,

mas que cheirava a incenso.

Era afinal quase nada,

e tudo parecia imenso!


Imensa, a luz proibida

no centro da catedral;

imensa, a voz diluída

além do bem e do mal;

imensa, por toda a vida,

uma descrença total!


in "À Guitarra e à Viola"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Tempos sem tempo,,,

https://youtu.be/UB0D4P5Yq4s

 Nestes dias tão pequenos o pensamento voa e volta ao tempo em que tudo começou, o ser adulta com responsabilidades, já lá vão 38 anos.

A vida familiar e a atividade  profissional do meu marido levou-nos a Lisboa.

Ali vivemos, perto do Alto de S. João e da Praça do Chile e da Avenida Almirante Reis.

Aquele bairro calmo em contraste com o bulício da Almirante Reis. Os cheiros as cores a multiculturalidade... As pessoas sempre numa correria e as saídas do metro com os mais desprotegidos por ali,,, ninguém os encarava de frente talvez por não terem tempo ou talvez para não absorverem a falta gritante de tudo que se lia na postura e no aspeto físico...

Eu via porque tinha tempo... e lia alguma daquela angústia. Um ciclo vicioso aparentemente sem solução à qual não podia ficar indiferente. 

As imagens e os aromas ficaram tal como a beleza da cidade carregada de tantas vidas díspares, de tanta arquitetónica, de tanta simbologia.

A beleza dos edifícios, as exposições de artes plásticas enlevavam-me (não foi por acaso a minha escolha no secundário, Introdução às Artes Plásticas, Design e Arquitetura)....mais tarde Serviço Social o que não estranho porque o que mais amo é a Natureza, as Pessoas, o Belo e os Animais.


Foram dois anos muito enriquecedores.

Alentejo, Alandroal e São Mansos.

Alandroal tão perto de Vila Viçosa e S. Mansos tão perto de Évora...

Belo o Alentejo, belo o Cante Alentejano.

Os meus olhos tudo colhiam e, atualmente, as saudades  das pessoas com quem me cruzei e das que se cruzaram comigo, são muitas. 

A calmaria e a estrada um espelho nos dias de verão.

Geralmente, a nossa casa era mesmo no edifício do Posto da GNR (devido à função do meu marido) o que se tornava uma vantagem porque se tinha de me ausentar os meus filhos ficavam sempre em segurança. 

Em S. Mansos o edifício rodeava um pátio interior com um poço e à tardinha ouvia-se o Cante Alentejano que vinha duma cooperativa logo ali. 

As imagens e os sons e a generosidade marcaram e ficam retidas para sempre.

As ruas desertas no calor avassalador do verão.

Belmonte, Vila de Belmonte, também nunca esquecerei as suas pessoas, as suas ruas empedradas, a sua história.

Talvez, Belmonte, seja o local que mais amei. Tanta riqueza na sua diversidade cultural, nas tradições.

Ouvir o Rabino nas suas orações...na surdina do anoitecer. 

A sua Igreja, a sua Sinagoga, os Museus, o Castelo.

Lindo tudo... tão lindo tudo.

Tantas saudades do que já passou.

A VidA um poema.



quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Tempos sem tempo,,,

 


Nestes tempos, em que o Inverno se aproxima, o tempo escorre lentamente e as noites são imensas,,, muitas notícias da atualidade e tantos debates sobre o Mundial de Futebol e sobre a Guerra, esta que continua a dizimar e a destruir. Em ambos os casos  fala-se e discutem-se os Direitos Humanos. Ansiamos que a cada novo dia a boa notícia de que a guerra terminou seja já amanhã. 

Mas esse dia tarda e a esperança vai esmorecendo e a tristeza torna a vida avassaladora.

Problemas menores, tão menores perante esta brutalidade, vão prendendo a minha atenção mas a nuvem da Guerra continua sempre a pairar escurecendo qualquer pequena alegria.

A RTP1e a RTP2 são quase sempre a minha companhia nestas noites compridas, numa tentativa de me abstrair da estranha realidade que vivemos.

Entretanto, o Natal está quase a chegar e as crianças merecem ter o Natal e as Famílias fazem o Natal acontecer, ainda que o triste Natal de quem vive na Guerra esteja sempre presente no pensamento de todas as Mães do lado de cá da Guerra... como se nos lares desfeitos pela guerra esteja um pouco de nós...



Que a VidA seja um sorriso... já, já, já amanhã. 



É o meu desejo.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Liberdade... com responsabilidade,,,


A pensar na liberdade.
Na Liberdade com responsabilidade. Para se exercer a liberdade tb é necessária coragem. Coragem de expormos o nosso ponto de vista ainda que encontremos tanta oposição e tanto silêncio. Por vezes, encontramo-nos sós, a lutar contra "ventos e tempestades", ainda que a causa beneficie tantos. Provavelmente na hora de usufruir da conquista  todos aparecem. Há causas que parecem menores, com pouca importância,  mas que nos afetam... particularmente os mais sensíveis.
Gotas de água num universo complicado de pessoas complicadas, que não vêem além dos seus umbigos, e que pensam que por serem muitos a sua opinião é mais importante do que a de uma minoria...
Viva a Liberdade, sim, mas com responsabilidade. 

A VidA,,,


 A pensar numa situação que me lembrou de outras idênticas...

Há um ou dois anos alguém me pediu para ir colocar um "gosto" numa decoração de Natal duma vitrine pq havia um concurso e a vitrine  vencedora seria a que tinha maior número de "gostos"...

Respondi que não conhecia as decorações a concurso daí não poder colocar esse "gosto" apenas numa pois isso não seria correto. Constato que tal acontece nos mais variados campos, nas redes sociais. É pedido aos seguidores que coloquem "gostos" para que o SEU produto seja o vencedor.

E assim vão  ganhando protagonismo, credibilidade,,, no mundo em que se movimentam... sem possuírem tal mérito (ou possuindo).


https://youtu.be/eTA7cfQaCUY