sábado, 11 de março de 2023

Menos um dia,,,

 Menos um dia 

Mais uma noite

Nunca te afastes

Ó alegria!


Porque a vida

É um poema

Um poema 

A cada dia!


Mas se a tristeza

Bater aqui

Que deixe sempre

Um rasto de esperança 

E de nostalgia.

(Celeste Rebordão)




Perdas,,,

 Vão partindo

Os que nos trazem 

Conforto.

Vão indo

Os que nos trazem

Ecos.

Vão-nos deixando

Os que nos fazem

Companhia.

Vão-nos abandonando

Os que falam

O que sentimos.

Almas tão 

Parecidas 

Mas tão maiores.

Na palavra,

Na música,

Na poesia,

Nas artes plásticas,

No teatro.

Na Arte,

Em toda a sua expressão. 


Tristeza e um vazio tão cheio de saudade.

(Celeste Rebordão)




Lua Que Brilha

 Lá vai ela

Ligeira

A lua que brilha 

A lua altaneira.


Vestida de madrepérola 

Vestida de brilho

Vai ligeira 

De suspiro em suspiro.


Não se detém 

Por isto ou por aquilo

Apenas são nuvens 

Apenas é vento...


Que apenas querem 

O seu desalento.

(Celeste Rebordão)



terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Arte,,,

  A pensar nas Obras de Arte...

O traço, o gesto, a profundidade, a perspetiva, as técnicas, a cor, o pormenor, o equilíbrio... mas, para mim, o mais importante é a emoção que transmitem. As sensações que desencadeiam.

Muitos autores não conseguem transportar essa "carga" para os trabalhos (transmitir uma sensação, uma emoção para quem olha, para quem lê, para quem ouve) apesar de falarem imenso que é isso que os move.

Penso que essa capacidade, aliada à criatividade,  é o que distingue o verdadeiro Artista. Tudo o resto aprende-se em disciplinas ligadas às artes e nas Escolas de Arte e, também, pela continuidade (desde que se tenha apetência) mas transmitir uma emoção são poucos que o conseguem.

Arte será sempre algo único.

🌻🌻🌻

Esta é a minha opinião algo que ninguém pode calar porque é um direito (liberdade de expressão) que a Democracia me concede, para mal daqueles que apenas pretendem ver expostas críticas positivas.

As críticas negativas são objeto de perseguição, de ameaças anónimas e veladas, de calúnia, de vocabulário impróprio... tudo tão negativo como a capa do anonimato que é utilizada e que apenas caracteriza os emitentes: a incapacidade de aceitar o negativo, parca formação pessoal, falta de sentido da ética e da moral.

Também  as críticas negativas  levam ao crescimento... assim haja a humildade de aceitar as imperfeições.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Noite Apressada

 NOITE APRESSADA

David Mourão-Ferreira 


Era uma noite apressada

depois de um dia tão lento.

Era uma rosa encarnada

aberta nesse momento.

Era uma boca fechada

sob a mordaça de um lenço.

Era afinal quase nada,

e tudo parecia imenso!


Imensa, a casa perdida

no meio do vendaval;

imensa, a linha da vida

no seu desenho mortal;

imensa, na despedida,

a certeza do final.


Era uma haste inclinada

sob o capricho do vento.

Era a minh'alma, dobrada,

dentro do teu pensamento.

Era uma igreja assaltada,

mas que cheirava a incenso.

Era afinal quase nada,

e tudo parecia imenso!


Imensa, a luz proibida

no centro da catedral;

imensa, a voz diluída

além do bem e do mal;

imensa, por toda a vida,

uma descrença total!


in "À Guitarra e à Viola"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Tempos sem tempo,,,

https://youtu.be/UB0D4P5Yq4s

 Nestes dias tão pequenos o pensamento voa e volta ao tempo em que tudo começou, o ser adulta com responsabilidades, já lá vão 38 anos.

A vida familiar e a atividade  profissional do meu marido levou-nos a Lisboa.

Ali vivemos, perto do Alto de S. João e da Praça do Chile e da Avenida Almirante Reis.

Aquele bairro calmo em contraste com o bulício da Almirante Reis. Os cheiros as cores a multiculturalidade... As pessoas sempre numa correria e as saídas do metro com os mais desprotegidos por ali,,, ninguém os encarava de frente talvez por não terem tempo ou talvez para não absorverem a falta gritante de tudo que se lia na postura e no aspeto físico...

Eu via porque tinha tempo... e lia alguma daquela angústia. Um ciclo vicioso aparentemente sem solução à qual não podia ficar indiferente. 

As imagens e os aromas ficaram tal como a beleza da cidade carregada de tantas vidas díspares, de tanta arquitetónica, de tanta simbologia.

A beleza dos edifícios, as exposições de artes plásticas enlevavam-me (não foi por acaso a minha escolha no secundário, Introdução às Artes Plásticas, Design e Arquitetura)....mais tarde Serviço Social o que não estranho porque o que mais amo é a Natureza, as Pessoas, o Belo e os Animais.


Foram dois anos muito enriquecedores.

Alentejo, Alandroal e São Mansos.

Alandroal tão perto de Vila Viçosa e S. Mansos tão perto de Évora...

Belo o Alentejo, belo o Cante Alentejano.

Os meus olhos tudo colhiam e, atualmente, as saudades  das pessoas com quem me cruzei e das que se cruzaram comigo, são muitas. 

A calmaria e a estrada um espelho nos dias de verão.

Geralmente, a nossa casa era mesmo no edifício do Posto da GNR (devido à função do meu marido) o que se tornava uma vantagem porque se tinha de me ausentar os meus filhos ficavam sempre em segurança. 

Em S. Mansos o edifício rodeava um pátio interior com um poço e à tardinha ouvia-se o Cante Alentejano que vinha duma cooperativa logo ali. 

As imagens e os sons e a generosidade marcaram e ficam retidas para sempre.

As ruas desertas no calor avassalador do verão.

Belmonte, Vila de Belmonte, também nunca esquecerei as suas pessoas, as suas ruas empedradas, a sua história.

Talvez, Belmonte, seja o local que mais amei. Tanta riqueza na sua diversidade cultural, nas tradições.

Ouvir o Rabino nas suas orações...na surdina do anoitecer. 

A sua Igreja, a sua Sinagoga, os Museus, o Castelo.

Lindo tudo... tão lindo tudo.

Tantas saudades do que já passou.

A VidA um poema.