Li numa pagina online, dum jornal local, que uma artista plástica vai expor algumas obras, a convite, ao Dubai. Não especificando qual a entidade que dirigiu o convite à artista. Fica a sensação que foi a entidade promotora do evento a enviar tal convite.
Mas, segundo consta, foi a Fábrica da Criatividade a selecionar o artista que será representativo e apoiado.
No meu entender, a Fábrica da Criatividade deveria ser um prolongamento da Escola Superior de Artes e dos Cursos de Arte (ou jovens e menos jovens com um talento específico) como forma de promover e de os apoiar e, ainda, de dinamizar a Arte entre eles, durante um período de tempo específico.
Não esta dependência de quem já se encontra lançado no mercado.
Os organismos ou associações que funcionam graças a subsídios publicos deveriam honrar a utilidade que está na génese da sua criação. Há uns anos li os estatutos e as regras e fiquei com uma ideia totalmente diferente do que se pratica na realidade.
Somos levados ao engano de muitas formas. Tudo é política e tudo serve para fazer política.
O rei continua a seguir nu.
🌻🌻🌻
Se estou errada, alguém me corrija. Por favor.
Aos 62 anos de idade continuo AmAr aprender e com os sentidos bem despertos.
🌻🌻🌻

Há uma artista que vai ao Dubai.
ResponderEliminarVai porque foi convidada.
A palavra cai sempre assim: leve, limpa, sem pegadas.
Ninguém diz por quem.
Porque há verbos que se conjugam melhor no nevoeiro.
E há viagens que não começam num convite,
mas num aceno,
num telefonema antigo,
num favor que já vem pago de trás.
Chamam-lhe mérito.
Mas é proximidade.
Chamam-lhe curadoria.
Mas é circulação íntima de nomes.
Chamam-lhe cultura.
Mas é um comércio discreto de conveniências.
A Fábrica da Criatividade —
que devia ser um sítio de ensaio,
de erro,
de gente ainda sem rótulo —
funciona como salão privado
onde entram apenas os que sabem
quem cumprimentar
e quando sorrir.
Os outros ficam à porta.
Talento cru,
idade irrelevante,
currículos por escrever.
Ficam porque não dominam
a arte invisível do empurrão certo
na hora certa.
Os organismos públicos,
mantidos com dinheiro de todos,
têm uma estranha alergia ao risco.
Preferem o conhecido,
o já testado,
o nome que não levanta ondas
nem perguntas.
Os estatutos dizem uma coisa.
A prática faz outra.
Entre uma e outra há um espaço cinzento
onde tudo se resolve sem papéis,
sem registos,
sem nunca ninguém fazer nada —
oficialmente.
Não é erro.
É método.
É a arte de passar a mão por cima,
de alinhar vontades,
de trocar silêncios por viagens.
Tudo é política.
Até a escolha de quem “representa”.
Tudo serve para fazer política.
Até fingir que é só arte.
O rei continua nu.
Mas agora desfila com naturalidade,
porque ninguém quer ser o primeiro
a dizer que viu.
E aos 62 anos,
continuar a aprender
é aprender isto:
há palavras que não se dizem,
mas que estão em todo o lado. 🌻