quinta-feira, 10 de abril de 2025

O que não é...


 Li numa pagina online, dum jornal local, que uma artista plástica  vai expor algumas obras, a convite, ao Dubai. Não especificando qual a entidade que dirigiu o convite à artista. Fica a sensação que foi a entidade promotora do evento a enviar tal convite. 

Mas, segundo consta, foi a Fábrica da Criatividade a selecionar o artista que será representativo e  apoiado.

No meu entender, a Fábrica da Criatividade deveria ser um prolongamento da Escola Superior de Artes e dos Cursos de Arte (ou  jovens e menos jovens com um talento específico) como forma de promover e de os apoiar  e, ainda, de dinamizar a Arte entre eles, durante um período de tempo específico. 

Não esta dependência de quem já se encontra lançado no mercado.

Os organismos ou associações  que funcionam graças a subsídios publicos deveriam  honrar a utilidade que está na génese da sua criação. Há uns anos li os estatutos e as regras e fiquei com uma ideia totalmente diferente do que se pratica na realidade.

Somos levados ao engano de muitas formas. Tudo é política e tudo serve para fazer política. 

O rei continua a seguir nu.

🌻🌻🌻

Se estou errada, alguém me corrija. Por favor.

Aos 62 anos de idade continuo AmAr aprender e com os sentidos bem despertos.

🌻🌻🌻

1 comentário:

  1. Há uma artista que vai ao Dubai.
    Vai porque foi convidada.
    A palavra cai sempre assim: leve, limpa, sem pegadas.

    Ninguém diz por quem.
    Porque há verbos que se conjugam melhor no nevoeiro.
    E há viagens que não começam num convite,
    mas num aceno,
    num telefonema antigo,
    num favor que já vem pago de trás.

    Chamam-lhe mérito.
    Mas é proximidade.
    Chamam-lhe curadoria.
    Mas é circulação íntima de nomes.
    Chamam-lhe cultura.
    Mas é um comércio discreto de conveniências.

    A Fábrica da Criatividade —
    que devia ser um sítio de ensaio,
    de erro,
    de gente ainda sem rótulo —
    funciona como salão privado
    onde entram apenas os que sabem
    quem cumprimentar
    e quando sorrir.

    Os outros ficam à porta.
    Talento cru,
    idade irrelevante,
    currículos por escrever.
    Ficam porque não dominam
    a arte invisível do empurrão certo
    na hora certa.

    Os organismos públicos,
    mantidos com dinheiro de todos,
    têm uma estranha alergia ao risco.
    Preferem o conhecido,
    o já testado,
    o nome que não levanta ondas
    nem perguntas.

    Os estatutos dizem uma coisa.
    A prática faz outra.
    Entre uma e outra há um espaço cinzento
    onde tudo se resolve sem papéis,
    sem registos,
    sem nunca ninguém fazer nada —
    oficialmente.

    Não é erro.
    É método.
    É a arte de passar a mão por cima,
    de alinhar vontades,
    de trocar silêncios por viagens.

    Tudo é política.
    Até a escolha de quem “representa”.
    Tudo serve para fazer política.
    Até fingir que é só arte.

    O rei continua nu.
    Mas agora desfila com naturalidade,
    porque ninguém quer ser o primeiro
    a dizer que viu.

    E aos 62 anos,
    continuar a aprender
    é aprender isto:
    há palavras que não se dizem,
    mas que estão em todo o lado. 🌻

    ResponderEliminar