terça-feira, 1 de março de 2011

Há pessoas...




Há pessoas...


Há pessoas para as quais apenas as aparências contam...

Fazem tudo para serem consideradas as melhores...

Só que neste frenesim de alcançarem esse estatuto esquecem-se da inteligência dos

que as rodeiam e no ridículo em que, a maior parte das vezes, incorrem.


Não é aquilo que se vê que conta... Conta sobretudo o que não se vê...

O anonimato não é menos importante...

Ser-se apenas mais um entre milhões...

Ser apenas mais uma gota de água deste imenso oceano onde vivemos...


Peca-se quer por excesso quer por defeito...







Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.

Fernando Pessoa



E quando não há mais nada a fazer bebe-se um bom vinho, ouve-

se (sem h) uma boa música, pensa-se em quem gostamos e dizemos "a vida é

bela".


Que ironia...

Mas continuamos sobretudo a sermos nós mesmos!

Não embarcamos em facilitismos...Never!

Nunca te rendas à mediocridade, ao fingimento, ao parecer... Porque um dia

poderás


pensar que essas formas de estar são as normais...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Joana Freixo




Para a Joana, menina que caminha em direcção ao Sonho da Vida: Ser feliz no mundo profissional que escolheu para si...



A Joana estudou na Escola Secundário Amato Lusitano e, actualmente, continua a sua formação em Évora, cidade linda, na concretização académica dos seus objectivos.


Porque o SONHO comanda a VIDA, aqui fica o meu ABRAÇO pleno de força para TI...




Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

(António Gedeão)

In Movimento Perpétuo, 1956


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O meu caderno de capa cinzenta...





São três horas e trinta minutos. Lá fora a noite está calma e fria. Por norma durmo bem mas, naqueles dias em que o sono teima em não vir por algum assunto por resolver, a cabeça dá voltas e voltas e eu regresso quase sempre ao mesmo lugar - ao lugar onde a felicidade andava de mão dada com a idade e tudo era ultrapassável. Pelo pensamento cruzam-se muitas coisas. Umas, numa tentativa de compreeender atitudes e comportamentos,  outras, sobre vários trabalhos que tenho que realizar e sobre os quais ainda não surgiu a ideia "base" para iniciar. Nestes últimos tempos, da era digital, através das redes sociais, tenho verificado que as atitudes não se alteraram muito das de há trinta anos atrás, tempo da minha adolescência. Todos os dias frases que ficaram imunes há passagem do tempo, por terem sido pensadas por pessoas com uma dinâmica de pensar inigualável, são utilizadas nos mais variados contextos. O mesmo acontece com excertos de livros que ficaram retidos na memória e dos quais nos socorremos numa tentativa de encontrar o rumo. Nesta onda de pensamentos lembrei-me do meu Caderno da Capa Cinzenta. É assim que o chamo apesar de não passar de um mero caderno cinzento, pautado, de tamanho A5. Era neste caderno que, na fase da adolescência, eu colocava os meus pensamentos, as tais frases tão marcantes e alguns extractos de livros que achava divinos. Como sei que só irei adormecer quando for vencida pelo cansaço e adversa que sou a "enganar" o sono através de meios químicos, resolvi levantar-me e procurar o tal caderno que me tem acompanhado. Engraçado como ele tem estado sempre num lugar bem próximo ao longo destes trinta e dois anos, numa das gavetas da minha secretária onde, actualmente, trabalho e estudo. Na capa gasta e com algumas dobras tem o ano colocado a tinta azul-1979... Olhei-o carinhosamente. Por estas folhas, amarelecidas pelo tempo, passaram momentos de lágrimas e de felicidade, tão próprios na vida de todos os adolescentes e em qualquer idade... Para alem das frases e dos excertos de livros, tem uma lista dos livros que já tinha lido, oitenta e nove , e dos livros que queria ler com os respectivos autores. Poemas, tantos, de Odette de Saint Maurice, datas de aniversários, desabafos, papelinhos escritos por amigas, poemas escritos para mim ... Manancial de recordações a cada página virada...



"Que o meu coração acompanhe sempre o teu pensamento"




"A mansidão das aves
que desçam dos abismos
do azul
que venham pousar
e tomar por morada
os teus olhos
e que a divagação
seja como o berço que
embala num vaivém
perpétuo em que as
asas brancas e as
soleiras do orvalho
acariciem os teus
sonhos róseos que
tomam por morada
a tua nave espacial
Que em cada
estrela encontres
uma força para sorrires
que cada flor germine no teu coração."


Tudo tem um tempo próprio para ser vivido, para ser sonhado, para ser utilizado...
A vida segue o seu percurso imperturbável com a passagem do tempo.
O passado faz parte do nosso presente e, de certa forma, condicionou-o mas somos sempre nós a escolher os próprios passos...


  • ...no tempo da minha adolescência estes tesouros eram resguardados dos outros OLHARES, atualmente os hábitos são bem diferentes ,,, tudo é exposto, tudo é mostrado,,, numa euforia como se essas frases fossem da autoria de quem publica,,, como se essas frases caracterizem quem as mostra,,, e não é bem assim...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

As pessoas com mais idade...





Ontem, foi divulgado pelos meios de comunicação social o caso de uma idosa que se encontrava morta há nove anos na sua residência. Todas as diligências necessárias para averiguar qual o seu paradeiro não foram efectuadas apesar dos vizinhos e familiares terem denunciado a situação.

Actualmente, há inúmeras pessoas de idade mais avançada a viverem completamente sós, votadas à solidão e ao abandono, quer pelos familiares, quer pela vida agitada que transforma as relações de vizinhança quase inexistentes. Um ser humano é sempre um ser humano independentemente da idade que tenha.



Diariamente, cruzo-me com pessoas de olhar triste como se a esperança de viver se tivesse desvanecido para sempre. O que nos custa trocar algumas palavras ou apenas um sorriso, um BOM-DIA???


Privamos os nossos filhos do contacto com os avós. Abandonamos os nossos familiares em lares ou na suas residências. Privamo-los do nosso carinho e da nossa companhia e, em simultâneo, estamos a perder o que têm para nos transmitir. Retiramos-lhes o prazer de disporem de algumas economias para as utilizarem de acordo com os seus desejos. Usam roupa que não escolhem. São tratados como crianças, que não são, o que os entristece.
Tudo isto é violência!

Não valorizamos a sabedoria que possuem! O mesmo não sucede noutras sociedades consideradas "atrasadas".


Os dois Lobos

"Um velho Índio Cherokee iniciava o seu neto nos propósitos da vida:
'Uma luta ocorre dentro de mim', dizia ele ao menino. 'É uma luta terrível entre dois lobos. Um é cheio de inveja, cólera, avareza, ciúmes, arrogância, ressentimentos, possessão, mentiras, superioridade, orgulho. O outro é bom. Ele é pacifico, feliz, sereno, humilde, generoso, verdadeiro e cheio de compaixão. Esta luta está também dentro de você, minha criança. Está também dentro de cada pessoa'.
O menino pensa um instante e interroga o avo: 'Qual dos dois lobos ganhara a luta?' O velho Índio responde-lhe simplesmente: 'Aquele que você alimentar'. "



Lenda Sioux da Águia e do Falcão


Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo...

- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte... e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.

E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.

O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu eram verdadeiramente formosos exemplares...

- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue? Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.

- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.

E o velho disse:

- Jamais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro...

Se quiserem que o amor entre vocês perdure... voem juntos... mas jamais amarrados.





"A sobrevivência da cultura Guarani, ágrafa por natureza, depende da oralidade dos
membros da família, em especial dos idosos da comunidade. Os povos originários
construíram a história através da memória. Através da oralidade dos “mais velhos” que, por meio de relatos sobre o passado da etnia, revela e cria um vínculo entre os jovens e sua história. Fato significativamente importante para a expansão idiomática e a preservação cultural.
O relacionamento dos “mais velhos” com os mais jovens, propõe um círculo de
amizade e respeito mútuo. Buscam juntos, novos e antigos conhecimentos em estreita harmonia com a dinâmica da vida, sem perder a identidade Guarani. A partir dos 40 anos5 o membro da comunidade “Yynn Morati Wherá” é considerado “idoso”. Que não tem haver com a idade cronológica, como na sociedade nacional, mas pelo conhecimento acumulado da comunidade em que vive. Este pode aconselhar e orientar em caso de ser solicitado para esta tarefa. Entretanto há um membro que imprime o passado e o futuro das gerações Guarani: o Pajé ou Karai6.
Os “mais velhos” da comunidade contam com um valor especial por serem os fios
condutores da cultura, da língua, dos costumes, dos rituais. Destes últimos, os Pajés são líderes religiosos que oralmente transmitem os conhecimentos de seu povo para os mais jovens. Respeitados por sua sabedoria diante das inquietudes dos mais jovens, são consultados enquanto líderes sobre as mais variadas situações políticas e estruturais como a andança” de seu povo. Foi com um líder espiritual e através de suas visões que no século XIX, os Guaranis deixaram seu passado com os colonizadores para encontrar a “Terra sem Males”. Em sua expedição foram guiados por um líder." (Relatos de Iniciação Científica Idosos Indígenas e Comunicação: olhares e aproximações
DOS SANTOS, Scheila1
TORRES-MORALES, Ofelia Elisa2)


Violência contra idosos aumenta em Portugal

Os crimes de violência a vítimas com mais de 64 anos aumentaram de oito para 25 mil nos últimos cinco anos revela um estudo, que cita dados da Polícia de Segurança Pública. O aumento das denúncias pode constituir uma explicação para a elevada subida dos números da violência, sustentou fonte da PSP.

“Os idosos são vítimas silenciosas, já que não apresentam queixa por medo”, explicou fonte da Procuradoria-Geral da República. O gabinete de Pinto Monteiro recebe centenas de denúncias de casos de violência contra idosos. O procurador vai pedir às distritais de Lisboa, Porto, Évora e Coimbra para alertar autarquias, juntas e Segurança Social que denunciem os casos que cheguem ao seu conhecimento.
Pinto Monteiro disse é prioritário combater a violência nos idosos. “Não há nenhuma crítica que me faça desistir do meu caminho” e o facto de serem poucas as denúncias de violência nos idosos explica que a necessidade e urgência em “tomar medidas”.
A agressão a idosos reveste-se de variadas formas: negligência nos Cuidados de saúde e abandono, abusos físicos, maus tratos psicológicos, negligência por abandono, negligência por administração de doses erradas de medicamentos para acalmar o idoso, negligência nos cuidados de saúde, abuso sexual e tentativas de extorsão de dinheiro (em casos de filhos com pais pouco lúcidos). (Fonte: RTP / Agência Lusa)



Dez Réis de esperança

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das pernas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

(António Gedeão)






terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Exposição de Fotografia-Rui Dias Monteiro



Figura na Paisagem



Na Sala da Nora, Cine-Teatro Avenida, de 5 a 27 de Fevereiro, exposição de fotografia de Rui Dias Monteiro.


Exposição que reune vinte e uma fotofrafias. Uma que se realça devido ao seu tamanho. Um cão preto que foge...

Imagens do quotidiano onde o escuro salienta o claro. Luz e sombra. O doce colorido que nos transporta à realidade da natureza.


Lindas imagens de cor vestidas. Imagens do quotidiano da vida guardadas na memória de todos nós.


"A expor desde 2005, Rui Dias Monteiro, natural de Castelo Branco, é um dos fotógrafos mais promissores da sua geração. Tendo frequentado o Curso Avançado de Fotografia do Ar.Co, com Bolsa que lhe foi atribuída em 2006 fez uma viagem a Nova Iorque que mudou para sempre o seu olhar. Aos 22 anos, Rui Dias Monteiro publicou por diversas vezes portfolios em publicações, participou na VIII Bienal de Artes Plásticas do Montijo e em várias exposições colectivas. Na galeria Boavista 132, apresentou a sua primeira exposição individual, Lavagem a seco (2006)." (Ricardo Paulouro)





Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)


Salvador Dali – Surrealismo - Óleo sobre tela

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Exposição Internacional de Arte Solidária










O Rotary Clube de Castelo Branco, através do INROT-6, Agrupamento dos Clubes Rotários de Portugal e Espanha, que integra Badajoz, Cáceres, Castelo Branco, Évora, Mérida e Portalegre, promove uma Exposição Internacional de Arte Solidária.
Na Casa do Arco do Bispo, em Castelo Branco, de 22-01-2011 a 30-01-2011. A “Exposição Internacional de Arte Solidária 2010” é uma exposição itinerante de obras de arte, a decorrer entre Outubro de 2010 e Março de 2011, cujas receitas obtidas com a venda das 138 obras expostas, que foram doadas pelos seus proprietários ou autores portugueses e espanhóis, revertem, integralmente, para o Programa de Erradicação da Poliomielite.
Entre outros, Indian Espadanal, João Cutileiro, Juan Iglesias Mora, Helena Antunes, Maria Margarida Perdigão são autores de obras presentes nesta exposição.

"Pólio Plus, o programa mais ambicioso da história do Rotary, é a
representação máxima dos trabalhos voluntários na campanha
global para erradicação da pólio.
Uma doença infecciosa devastadora e potencialmente mortal, a
pólio tem sido a principal causa de paralisia da história e continua
a afectar crianças, principalmente as menores de cinco anos, em
vários países em desenvolvimento da Ásia, África e Médio Oriente.
Dado que não há cura para a Pólio, a melhor defesa é a prevenção.
Por apenas 60 cêntimo de dólar, o preço da vacina, pode
proteger-se, para sempre, uma criança contra essa doença
devastadora. Se não erradicarmos a poliomielite o mundo continuará
a viver sob a ameaça desta doença, que fará com que mais de 10
milhões de crianças fiquem incapacitadas nos próximos 40 anos
." (Cultura Vibra)"

Casa do Arco do Bispo
Foyer do Cine-Teatro Avenida



domingo, 23 de janeiro de 2011

As árvores em flor...







Há momentos de maior fragilidade que me trazem outros, felizes, perdidos na minha meninice. Talvez seja a forma de encontrar o equilíbrio nestes dias de maior agitação ou de desânimo. É na reflexão e, posteriormente, pelas palavras que se dá o ponto de equilíbrio que me fazem continuar a perseguir o rumo. Esta noite, foi uma daquelas em que o sono não vinha e a emoção tomava conta de tudo. Súbitamente, como num rasgo de luz, vieram-me à mente as imagens e os sons e os sabores de crianças de braços rosados a rirem e a caminharem pelos caminhos verdes que sulcavam a quinta onde passei a minha infância. Estes caminhos eram largos e limitados por árvores de fruto floridas a anunciarem a fartura de frutos que se avizinhava. Cerejeiras, pessegueiros, marmeleiros, macieiras, ameixoeiras... floridas de nuvens brancas ou rosáceas consoante a espécie. Ouvia-se o zumbir das abelhas em torno das suas despensas de pólen e o chilrear dos pássaros era constante.

A Natureza tem a sua linguagem plena de sons melodiosos que apaziguam a mente e tornam o viver em sabedoria. Eu e as minhas irmãs tinhamos o hábito, adquirido pela experiência, de irmos colhendo estas flores delicadamente perfumadas, e de lhes sugarmos a seiva adocicada que delas brotava. Haviam umas brancas , julgo que de marmeleiro, que mastigávamos porque tinham um sabor inolvidável.


Quem não gostava nada destas atitudes era o meu pai. Quando nos via com os cabelos enfeitados de flores e das orelhas penderem brincos elaborados com estas preciosidades zangava-se e explicava-nos que não podíamos arrancar as flores porque por cada flor apanhada era menos uma maçã, uma ameixa, um marmelo, que iriam fazer falta no nosso sotão para alegrar as noites de inverno, para fazer compotas e serviriam ainda como suplemento na alimentaçao dos animais nessa estação mais rígida. Claro que prometíamos não voltar a fazê-lo mas rápidamente nos esqueciamos. Ainda não tinhamos o sentido da responsabilidade e não percebíamos como é que duma flor leve apareceria um fruto muito mais pesado. Só com o tempo e pela experiência fomos apreendendo o real significado do que o meu pai nos queria fazer entender.

Conversávamos e ríamos e brincávamos. Éramos tão felizes! Por vezes também nos zangávamos mas era por pouco tempo. A Natureza tinha sempre um espectáculo novo e uma actividade associada que rápidamente nos fazia esquecer os nossos arrufos e as nossas tristezas.



Passam diante de mim as imagens do dia em que uma vaca morreu ao dar à luz. Infelizmente o filhinho também sucumbiu. Foi um dia de grande tristeza para toda a família. Vivemos o seu sofrimento como se fosse nosso. É pelo exemplo que se dá a passagem de valores, os bons e os maus, e os meus pais souberam incutir-nos o grande valor que é o respeito pela natureza com tudo o que a preenche. O meu pai com a ajuda de vários empregados abriram uma vala enorme e profunda e levaram a mãe e o filhinho num carro puxado por uma "junta de vacas amarelas", as do trabalho duro do campo porque ainda não tinhamos o bendito e barulhento tractor. Ladeámos o carro com ramos de flores e caminhámos em silêncio até ao buraco escuro. Após o trabalho estar concluído o meu pai foi-se embora com os homens e nós ficámos. Decorámos a superfície daquele rectângulo de terra mexida de acordo com o nosso sentimento de perda. Lembro-me que ficou lindo com corações de flores de cores variadas preenchidos com pétalas de rosas. Nos dias seguintes voltámos lá a rememorar e a falar do acontecido até que as idas começaram a rarear ... e acabámos por substituir a perda por outros pontos de interesse que era o que não faltava no nosso dia-a-dia. Felizmente!

Mas a recordação ficou para sempre. Linda a vida. Linda a Mãe Natureza. Maravilhosa escola, a da vida, que nos prepara e fortalece para as batalhas que todos temos de travar ao longo dos nossos dias. Mais uma vez, obrigada Pai, obrigada Mãe por não nos terem impedido de viver estas perdas que nos fortaleceram para outras perdas da vida.





Um dos estudos do Budismo de Nitiren Daishonin diz: "O Inverno nunca falha em se tornar primavera".

As flores de cerejeira precisam de suportar horas de frio para florir e assim é a vida.




A imagem do beija-flor, que está sempre presente na minha vida, nos bons e nos maus momentos.